Redação - Prova Geral Medicina - PUC Campinas 2026

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Redação

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RED

TEXTO 1

NÃO MORRA NA HORA ERRADA

Tratamentos que mais se beneficiam da detecção precoce por IA, 2024*
(em porcentagem das respostas de empresas de saúde nos EUA)

* FEV.MAR
**DPOC: Grupo de doenças respiratórias caracterizadas pela obstrução de forma permanente do fluxo de ar nos pulmões. Esse grupo inclui a bronquite crônica e o enfizema pulmonar.

(Adaptado de: A inteligência artificial vem melhorando os diagnósticos há tempos, mas agora o campo se expandiu. The economist. (Disponível em: <https://www.estadao.com.br)

TEXTO 2

   Em 2019, um estudo descobriu que um algoritmo clínico usado por muitos hospitais para decidir quais pacientes precisavam de atendimento apresentava viés racial 􀀐 pacientes negros precisavam ser considerados muito mais doentes do que pacientes brancos para receberem a mesma recomendação de tratamento. Isso ocorreu porque o algoritmo havia sido treinado com base em dados anteriores sobre gastos com saúde. Como pacientes negros gastavam menos com saúde devido a barreiras financeiras e de acesso, o algoritmo erroneamente interpretou que eles eram mais saudáveis. Embora o viés desse algoritmo tenha sido eventualmente detectado e corrigido, o incidente levanta a questão de quantas outras ferramentas clínicas e médicas podem ser igualmente discriminatórias.

(Adaptado de: GRANT, Crystal. “Algoritmos estão tomando decisões sobre cuidados de saúde, o que pode agravar o racismo médico”.
Disponível em: <https://www.aclu.org)

TEXTO 3

   É o fator humano a experiência que deve nortear o dia a dia do médico e nele a questão ética. Ignorar este imenso universo em troca da conclusão diagnóstica apresentada por uma lA é entrar no obscuro de sua caixa preta. A entrada neste sistema com milhões de arquivos, bancos de dados gigantescos e de diferentes origens, milhares de programadores e usuários de IA, traz para o produto final a possibilidade de agregar uma grande ajuda, mas também de estar produzindo cenários alucinados e conduzindo o médico a erros, muitas vezes causados por regras estabelecidas pelo programador (os algoritmos) de forma errônea ou maliciosa. 

  Também  é  onde estão  os  desafios  éticos, relacionados  à  privacidade  e confidencialidade, ao risco de enviesamento que corrompe a trilha de equidade e traz desafios à transparência e à clareza do racional. Como garantir a proteção de dados do paciente contra acessos não autorizados? Como evitar discriminações e garantir que não estamos lidando com resultados que, no final, ampliam a iniquidade? Como assegurar que os processos e decisões complexas dos sistemas sejam compreensíveis para profissionais de saúde e pacientes? 

(Adaptado de: MADEIRA. Sérgio. “Inteligência artificial não substitui médico e deve ser usada com ética”. Disponível em:
<https://veja.abril.com.br)

TEXTO 4

  A IA tem se mostrado altamente eficaz no diagnóstico médico e na detecção de doenças, ajudando os profissionais de saúde a identificar doenças com maior precisão e rapidez. Algoritmos de aprendizado de máquina podem analisar grandes quantidades de dados médicos, como exames de imagem, históricos clínicos e resultados de testes laboratoriais, e fornecer insights valiosos para os médicos. Isso possibilita a detecção precoce de doenças, como câncer, doenças cardíacas e distúrbios neurológicos, aumentando as chances de tratamento eficaz e melhores resultados para os pacientes.
    A IA permite o desenvolvimento de abordagens de medicina personalizada, levando em consideração características genéticas, histórico médico individual e outros fatores relevantes para a prescrição de tratamentos específicos. Algoritmos de IA podem analisar dados de pacientes e identificar padrões que ajudam a determinar quais terapias são mais eficazes para condições específicas, otimizando o tratamento e reduzindo efeitos colaterais indesejados.

(Adaptado de: LANDI JÚNIOR, Osvaldo. “O uso da inteligência artificial na saúde: avanços e desafios”. Revista Medicina S/A.
Disponível em: https://medicinasa.com.br)

   Considerando os textos acima, escreva um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema:

O uso da inteligência artificial (IA) no diagnóstico médico: vantagens e desafios

Comentário:

   A proposta de redação da Puccamp instigou os candidatos a refletirem sobre o impacto da inteligência artificial aplicada à medicina, especialmente no campo dos diagnósticos. Trata-se de um tema atual e interdisciplinar, que exige do estudante não apenas compreensão tecnológica básica, mas também capacidade de articular dimensões éticas, sociais e científicas em torno dessa questão.

   O comando apresentado no enunciado delimita bem o enfoque: o texto deve discutir tanto as vantagens quanto os desafios do uso da IA, o que requer uma abordagem equilibrada na argumentação, sem restringir-se a apenas um dos pontos de vista. Assim, a redação deve ir além da simples descrição de avanços tecnológicos, buscando um olhar crítico e humanizado sobre o papel da tecnologia na saúde.

   No Texto 1, o gráfico apresenta dados que evidenciam como as áreas médicas que mais se beneficiam da detecção precoce por IA. Conectado à parte das “vantagens” sugerida no tema, o texto enfatiza as vantagens práticas e mensuráveis do uso da inteligência artificial, esclarecendo sua contribuição para diagnósticos mais rápidos e precisos. Esses dados poderiam ser utilizados na redação para sustentar a eficiência da IA e sua importância na medicina preventiva, no sentido de um avanço que salva vidas e otimiza recursos hospitalares.

   O Texto 2, por sua vez, contribui para a discussão com um aspecto crítico: o risco de discriminação e injustiça algorítmica. Mais especificamente, o texto mostra que os sistemas de IA, ao aprenderem com dados enviesados, podem reproduzir preconceitos estruturais da sociedade, como o racismo. Esse exemplo poderia embasar a parte dos “desafios” sugeridos no tema, principalmente no que diz respeito à ética, equidade e confiabilidade da inteligência artificial na saúde.

   Seguindo a linha de abordagem crítica, o Texto 3 amplia a discussão ética, alertando que a tecnologia deve complementar, e não substituir, o julgamento humano. Esse texto indica alguns riscos, como a perda de privacidade de dados, a falta de transparência dos algoritmos (“caixa preta”) e o perigo de decisões automatizadas sem supervisão crítica. A partir disso, o candidato poderia reforçar a ideia de que a presença e o discernimento do médico são insubstituíveis, mesmo diante de ferramentas tecnológicas avançadas.

   Por fim, o Texto 4 é o contraponto otimista: enfatiza a eficácia da IA na medicina personalizada, a rapidez nos diagnósticos e a redução de erros. Com as informações apresentadas, o candidato poderia embasar o argumento das “vantagens”, mencionando a capacidade dos algoritmos de analisar grandes volumes de dados e detectar padrões invisíveis ao olhar humano. Essa abordagem pode ser útil para reforçar a ideia de que a tecnologia representa um salto qualitativo no tratamento de doenças e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

  De maneira geral, com essa coletânea, foi possível reconhecer o potencial transformador da inteligência artificial, mas também seus limites éticos e humanos. A partir disso, o candidato deveria adotar uma abordagem bilateral, desenvolvendo tanto as vantagens quanto os desafios, escolhendo um desses lados como o preponderante para sustentar uma tese mais crítica e mais clara no entendimento sobre os efeitos da IA no campo dos diagnósticos médicos.

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