Questão 3 - Prova Geral Medicina - PUC Campinas 2026

Gabarito

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  • Resolução pendente

  • ANL

    Questão anulada

  • S/A

    Sem alternativas

Questão 3

Objetiva
3

Atenção: As questões de números 1 a 8 referem-se ao texto a seguir.

Inteligência Artificial (IA) e escritura criativa

     A IA generativa, essa que parece criar e fazer tudo o que homem faz, torna provável que ninguém precise escrever mais nada. Agora que robôs imitam cada vez melhor a escrita humana, vamos supor que, num dos futuros possíveis desse tempo de incertezas e oportunidades criado pela inteligência artificial, o texto artesanal produzido por criaturas vivas ganhe um valor novo 􀀐 o de lugar de resistência do velho humanismo.
    Otimismo excessivo? Acho que não. A IA generativa torna provável que a quase totalidade da espécie já não escreva mais nada em breve, terceirizando para a máquina todas as tarefas textuais do dia a dia. Escrever é trabalhoso, afinal. Quem fará isso, se não for obrigado?
     Quem quiser, é claro. E quiser muito. Para esses malucos, vão se valorizar também traços do ato de escrever que até então a maioria de nós via como contratempos, pedágios a serem pagos (que remédio?) por quem quisesse chegar a um resultado textual decente.
     Um desses aborrecimentos é a insatisfação perpétua que parece estar no miolo do ofício de escrever criativamente, a julgar por depoimentos de escritores e escritoras de épocas e estilos variados. A essa sensação de insuficiência e incompletude podemos acrescentar a lentidão inerente ao processo de enfileirar palavras e a propensão ao arrependimento, à briga consigo mesmo. Robôs não sofrem de nada disso: são completos, rapidíssimos, seguros, íntegros. E aí mora a sua fraqueza.
    A escritora inglesa Zadie Smith deu certa vez o seguinte conselho a escritores iniciantes: “Tente ler seu próprio trabalho como um estranho o leria, ou melhor ainda, como um inimigo o leria”. Ótima dica, mas qual seria o sentido de exercitar de tal forma a crueldade consigo mesmo? O sentido é apenas o de crescer, escrever cada vez melhor. A erosão que a história da literatura provocou e provoca em seus relevos, prédios e monumentos deve ser incorporada pelo olhar crítico do autor que lê seu próprio trabalho. É por isso que existe o fenômeno desagradavelmente habitual da mudança drástica de opinião entre a noite eufórica em que se escreveualgo (“sou um gênio!”) e a manhã desencantada da sua leitura ("sou uma besta!").

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S. Paulo)

Uma das características básicas de um escritor verdadeiramente criativo é

Alternativas

  1. A

    a capacidade de terceirizar para a máquina os aspectos mais mecânicos da escrita.

  2. B

    obrigar-se a concorrer com as qualidades insuperáveis das criações produzidas pela IA.

  3. C

    desconsiderar inteiramente o sentimento de incompletude ou de insuficiência.

  4. D

    valer-se de sua insatisfação permanente como estímulo vital para sua criatividade.

  5. E

    superar os valores do antigo humanismo para aderir às vantagens da nova tecnologia.

Gabarito:
    D

Segundo o texto, os escritores, ao contrário de robôs, sofrem de “sensação de insuficiência e incompletude”, além de “lentidão inerente ao processo de enfileirar palavras e a propensão ao arrependimento, à briga consigo mesmo”. Portanto, o autor deixa claro que uma das características básicas de um escritor verdadeiramente criativo é “valer-se de sua insatisfação permanente como estímulo vital para sua criatividade".

3

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