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A praia da Areia Preta, no Espírito Santo, é um achado. Ela contém tório, um metal radioativo que, se aquecido, produz uma luz forte e duradoura. Na 2ª Guerra Mundial, cientistas americanos descobriram que era possível usar o tório para produzir o urânio que serviria tanto para reatores nucleares quanto para bombas. Toda a negociação para a compra foi feita sem que o governo brasileiro soubesse exatamente o que os americanos queriam com tantas toneladas de areia. Tudo era inserido na política da boa vizinhança. No entanto, Getúlio acabou percebendo o valor da areia. Em 1951, quando foi criado o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), a exploração dos principais minérios atômicos passou para a mão do Estado, que proibiu a exportação de tório, a não ser com autorização expressa do governo. As negociações eram desfavoráveis ao Brasil, com a areia radioativa sendo entregue a preços baixos ou transacionada por produtos de valor muito menor. O País até tentou exportar o tório já beneficiado por usinas locais, como forma de garantir mais lucros. A partir dessa atitude do governo brasileiro, os Estados Unidos passaram a taxar o metal em 33%, inviabilizando o negócio. A areia bruta não era taxada. Nos acordos de venda da areia, os EUA nunca compartilharam tecnologia e conhecimento atômico com o Brasil, o que gerou uma tensão política entre os países.
(Adaptado de GARATTONI, B. A praia radioativa. Superinteressante, jan. 2018. Disponível em https://super.abril.com.br/historia/a-praia-radioativa/. Acesso em 04/11/2025.)
a) Considerando o contexto da Guerra Fria, cite e explique dois aspectos da postura dos EUA em relação à importação de tório do Brasil no início dos anos 1950.
b) Quais eram os papéis do Estado no ideário getulista? Utilize dois exemplos do texto para fundamentar sua resposta.
a) Entre os principais aspectos da postura norte-americana em relação à exportação do tório brasileiro estão: a expansão do pensamento imperialista norte-americano, vinculada à política do Big Stick do século XIX, e a expansão e domínio do projeto nuclear norte-americano sobre o soviético. A primeira proposta abrange o domínio dos EUA sobre os países da América, pontuando que as nações americanas devem respeito e lealdade aos norte-americanos, que intitulam a região latina como seu “quintal”, ou seja, uma postura imperialista e violenta, já que não havia interesse dos EUA em compartilhar tecnologia ou conhecimento no uso do mineral com o Estado brasileiro. Essa postura se intensifica com a Guerra Fria, principalmente com o medo dos EUA de uma possível influência soviética na região. No segundo aspecto, há interesse dos norte-americanos nos recursos minerais brasileiros, potencialmente naqueles importantes para o desenvolvimento de tecnologia nuclear, como o uso o tório na produção de urânio, tendo em vista que os programas nucleares norte-americano e soviético estavam em pleno vapor nesse contexto.
b) No ideário varguista, os papéis do Estado brasileiro eram o de gerenciador dos recursos naturais e o de defensor da soberania nacional sobre as riquezas brasileiras. Exemplos disso podem ser vistos no texto a partir de duas passagens: a criação do CNPq, em 1951, converge com a postura varguista de governos anteriores que, ao criar o IBGE, em 1938, buscava compreender melhor os potenciais econômicos brasileiros, principalmente os minerais. Em ambos os casos, o investimento estatal na formação de cientistas e pesquisadores capazes de traçar estratégias que ampliassem a economia brasileira na exploração mineral era essencial. Há, ainda, um segundo fator relevante: a soberania nacional. Ao exportar o tório já beneficiado com tecnologia nacional, o Brasil se coloca como país que discorda da postura norte-americana de imperialismo na região da América do Sul, principalmente no desenvolvimento de usinas capazes de explorar um potencial atômico brasileiro.
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