Fique por dentro das novidades
Inscreva-se em nossa newsletter para receber atualizações sobre novas resoluções, dicas de estudo e informações que vão fazer a diferença na sua preparação!
Questão ativa
Já visualizadas
Não visualizadas
Resolução pendente
Questão anulada
Sem alternativas

O telescópio utilizado por Galileu, construído em 1609-1610, era composto de uma lente convergente, a objetiva, que, por ser mais fina nas bordas do que no centro, defletia mais a luz das bordas do que do centro, convergindo os raios paralelos para um foco; e uma lente divergente, a ocular, que magnificava a imagem. Kepler, em seu livro Dioptrice, publicado em 1611, argumentou que seria melhor construir um telescópio com duas lentes convergentes, como se usa atualmente. Kepler afirmou que uma lente convergente na ocular, posicionada após o foco da lente objetiva, produzia um campo maior e com maior magnificação do que uma lente divergente, embora a imagem resultasse invertida.

(Kepler de Souza Oliveira Filho e Maria de Fátima Oliveira Saraiva. http://astro.if.ufrgs.br, 2024. Adaptado.)
No contexto da filosofia renascentista e moderna, o desenvolvimento tecnológico descrito no excerto e demonstrado na imagem simboliza a
ênfase na experiência sensível para a confirmação das crenças metafísicas medievais.
utilização da tecnologia como estratégia para o controle político das ideias dissidentes.
retomada das explicações cosmológicas da tradição aristotélica reforçadas por dados mais precisos.
valorização da razão humana junto à observação como formas autônomas de compreender o universo.
ilustração do papel secundário da teoria frente ao desenvolvimento instrumental.
O desenvolvimento do telescópio, tanto na versão de Galileu quanto na de Kepler, simboliza um dos pilares da Revolução Científica e do pensamento moderno: a união indissociável entre a razão humana e a observação empírica como meios autônomos para a compreensão do Universo. O telescópio não é apenas um artefato tecnológico; ele representa a materialização da capacidade humana de, por meio do intelecto (razão) e da técnica, criar instrumentos que ampliam os sentidos (observação) e permitem investigar a realidade para além dos limites impostos pela autoridade da tradição ou dos dogmas. Ao direcionar o telescópio para os céus, Galileu inaugurou uma nova forma de conhecimento baseada na evidência direta, validando a observação como uma fonte legítima de saber e afirmando a autonomia da razão para interpretar esses novos dados e construir um novo modelo cosmológico.
Essa nova abordagem epistemológica representou uma ruptura fundamental com o conhecimento precedente, e não sua continuidade. As observações de Galileu, como as crateras na Lua, as fases de Vênus e os satélites de Júpiter, refutaram diretamente a cosmologia aristotélico-ptolomaica, que sustentava a perfeição e a imutabilidade dos corpos celestes, invalidando as alternativas A e C. A evolução do instrumento por Kepler, baseada em seus estudos teóricos de óptica, demonstra a relação simbiótica entre teoria e desenvolvimento instrumental, o que invalida a alternativa E, que sugere uma secundarização da teoria. O desenvolvimento tecnológico descrito, portanto, não foi um fim em si mesmo, mas a ferramenta que capacitou a razão e a observação a se estabelecerem como as novas autoridades na busca pela verdade sobre o mundo natural, independentemente de qualquer tutela metafísica ou política.
Inscreva-se em nossa newsletter para receber atualizações sobre novas resoluções, dicas de estudo e informações que vão fazer a diferença na sua preparação!