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Analise o excerto do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis, publicado originalmente em 1904.
— Mas o que é que há? perguntou Aires.
— A república está proclamada.
— Já há governo?
— Penso que já; mas diga-me V. : ouviu alguém acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto... Uma fatalidade! Venha em meu socorro. Excelentíssimo. Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o nome todo pintado. — “Confeitaria do Império”, a tinta é viva e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder o dinheiro que gastei? V. crê que, se ficar “Império”, venham quebrar-me as vidraças?
— Isso não sei.
— Realmente, não há motivo; é o nome da casa, nome de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo.
— Mas pode por “Confeitaria da República”...
— Lembrou-me isso, em caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dous meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje, e perco outra vez o dinheiro.
(Machado de Assis. Obra completa, 1986.)
O excerto mostra um diálogo do proprietário de uma confeitaria com outro personagem, o Conselheiro Aires. No diálogo, o dono da confeitaria expressa
sua oposição à alta dos preços, resultante da inflação e da desvalorização da moeda dos últimos anos do Império.
sua preocupação com as reações políticas do povo, derivada das violentas rebeliões populares republicanas.
seu desconforto com a mudança de regime político, apresentada como prejudicial às suas preocupações monetárias.
seu alheamento em relação ao debate político, restrito à época aos partidos políticos e aos membros do parlamento nacional.
sua insatisfação com a Proclamação da República, justificada por sua histórica adesão política ao modelo monárquico.
No trecho da obra de Machado de Assis, é possível compreender que o proprietário da confeitaria se irrita com a mudança do regime no Brasil (fim do período imperial e formação do sistema republicano), pois ele havia acabado de pintar sua confeitaria como “Confeitaria do Império”. Ao buscar alternativas, ele pensa em trocar o nome do empreendimento (o que lhe traria um custo extra pela nova pintura). Caso o nome permaneça, fica exposto o medo de retaliação ao seu negócio pelo nome que alude ao antigo sistema político do país.
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