Questão 56 - 1ª Fase - Unesp 2026

Gabarito

Questão 56

Objetiva
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     Até meados do século XIX, a maior parte das pessoas via tanto os humanos quanto os chimpanzés como seres que mantinham, sem qualquer mudança, as formas com as quais haviam surgido. Essa era uma visão de mundo denominada “fixismo”. Outra visão começou a deitar suas raízes em meados do século XVIII, defendendo o papel central da mudança no mundo natural: o “evolucionismo”. As teorias da evolução biológica propõem que os seres vivos que são vistos atualmente nem sempre existiram, nem sempre tiveram a mesma forma e nem sempre existirão. Desde o século XVIII, diversas teorias de evolução biológica foram discutidas, entre elas, as de Buffon e Lamarck. A grande mudança teve lugar ao final da década de 1850 com a apresentação de uma nova teoria evolutiva, de autoria de Charles Darwin, publicada em forma de livro, A origem das espécies. Darwin argumentou que a transformação das espécies ocorria de um modo muito diferente daquele proposto por Buffon, Lamarck e outros evolucionistas anteriores.

(Diogo Meyer e Charbel Niño El-Hani. Evolução: o sentido da biologia, 2005. Adaptado.)

A reorganização do campo da biologia descrito no excerto representa, para a filosofia da ciência,

Alternativas

  1. A

    a consolidação do modelo explicativo dogmático.

  2. B

    o processo sucessivo de ruptura de paradigmas.

  3. C

    a conciliação entre as diferentes concepções de vida.

  4. D

    o limite dos avanços no campo epistemológico.

  5. E

    a rejeição da investigação baseada em evidências.

Gabarito:
    B

O excerto apresenta a reorganização do campo da biologia a partir da publicação de A origem das espécies (1859) de Charles Darwin como um exemplo paradigmático de ruptura científica, conceito central na epistemologia contemporânea, especialmente na obra de Thomas Kuhn. O texto descreve que, até meados do século XIX, a visão predominante era o “fixismo”, segundo a qual as formas de vida eram imutáveis desde sua criação. A teoria da evolução de Darwin, ao propor que as espécies se transformam ao longo do tempo por meio da seleção natural, não apenas apresentou uma nova explicação, mas desestabilizou completamente o modelo explicativo anterior, forçando a comunidade científica a abandonar pressupostos fundamentais e adotar um novo quadro conceitual. Essa transformação radical na estrutura teórica da biologia caracteriza o que Kuhn denominou “mudança de paradigma” ou “revolução científica”: um processo no qual teorias rivais não coexistem pacificamente, mas entram em conflito até que uma delas se imponha, reestruturando o campo de conhecimento. O texto enfatiza que as teorias evolutivas anteriores (Buffon, Lamarck) não alcançaram o mesmo impacto transformador, evidenciando que a “grande mudança” ocorreu especificamente com Darwin, consolidando a alternativa B como a resposta que melhor expressa a ideia de ruptura sucessiva de paradigmas na filosofia da ciência.

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