Questão 55 - 1ª Fase - Unesp 2026

Gabarito

Questão 55

Objetiva
55

     O ponto de partida da filosofia autêntica encontra-se no espanto, na admiração ou na angústia. Uma fissura manifesta-se na existência; é preciso cimentar a brecha da dúvida. O pensamento vem e põe ordem na desordem. Chamam-se filosofia os primeiros princípios que traduzem a justificação que a pessoa se dá sobre seu lugar no mundo. O que a reflexão procura é sempre um estado de paz, princípio de uma orientação ontológica em fé da qual o homem se encontra à vontade na sua paisagem. Neste sentido, a função da filosofia não é diferente da do mito. O mito é a primeira forma desta adaptação espiritual da comunidade humana ao seu contorno. O pensador, uma vez rompida a consciência coletiva, retoma-o por sua conta, com os meios acrescidos da reflexão.

(Georges Gusdorf. Mito e metafísica, 1979. Adaptado.)

Com base no excerto, a relação entre mito e filosofia pode ser compreendida como a

Alternativas

  1. A

    superação do saber mitológico enquanto forma de preservação do consenso comunitário.

  2. B

    negação da validade de métodos racionais para as explicações ontológicas.

  3. C

    articulação simbólica entre diferentes formas de responder ao conhecimento científico.

  4. D

    substituição progressiva da fabulação mítica pela análise conceitual sistemática.

  5. E

    rejeição filosófica de narrativas pré-reflexivas como expressão do irracional.

Gabarito:
    D

O excerto de Georges Gusdorf estabelece a relação entre mito e Filosofia como um processo de ruptura e substituição, e não de continuidade ou articulação. O texto descreve o mito como a “primeira forma” de “orientação ontológica” de uma comunidade, funcionando como um sistema de crenças coletivo e pré-reflexivo. A filosofia, por sua vez, emerge de uma “fissura” nesse consenso, representando uma “ruptura” com a consciência coletiva. Essa quebra se manifesta na substituição da narrativa mítica (a “fabulação”, por um novo método de investigação). O pensador, ao se afastar da tradição, passa a buscar explicações por meio da “reflexão”, o que caracteriza a “análise conceitual sistemática própria” do pensamento filosófico, que busca fundamentos lógicos e racionais para a compreensão da realidade.

O ponto central da argumentação de Gusdorf, que valida a alternativa D, reside na transição de um modelo explicativo para outro. A filosofia não reinventa o mito nem o supera para preservar o consenso; pelo contrário, ela o desafia ao introduzir um método individualizado e crítico. A passagem “o pensador, uma vez que a sua consciência pessoal se destaca do seu contorno [...], retoma-o por sua conta, com os meios acrescidos da reflexão” é decisiva. Ela indica que o objeto de indagação (a ordem do mundo, a existência) pode ser o mesmo, mas a abordagem é radicalmente diferente: sai-se da narrativa herdada (fábula) para entrar no campo da análise pessoal e fundamentada (conceito). Portanto, a relação descrita é a de uma substituição progressiva, na qual o discurso racional e sistemático da filosofia passa a ocupar o lugar que antes pertencia à fabulação mítica como principal forma de explicar o mundo.

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