Questão 9 - 1ª Fase - Einstein 2027

Gabarito

  • Questão ativa

  • Já visualizadas

  • Não visualizadas

  • Resolução pendente

  • ANL

    Questão anulada

  • S/A

    Sem alternativas

Questão 9

Objetiva
9

Para responder às questões de 06 a 10, leia um trecho do  capítulo “O homem cordial”, da obra Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, cuja primeira publicação comemora 90 anos em 2026.

     Já se disse que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o “homem cordial”. A lhaneza¹ no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro. Seria engano supor que essas virtudes possam significar “boas maneiras”, civilidade.

     No “homem cordial”, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que no brasileiro — como bom americano — tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros.

     Nada mais significativo dessa aversão ao ritualismo social, que exige, por vezes, uma personalidade fortemente homogênea e equilibrada em todas as suas partes, do que a dificuldade em que se sentem, geralmente, os brasileiros, de uma reverência prolongada ante um superior. Nosso temperamento admite fórmulas de reverência, e até de bom grado, mas quase somente enquanto não suprimam de todo a possibilidade de convívio mais familiar. A manifestação normal do respeito em outros povos tem aqui sua réplica, em regra geral, no desejo de estabelecer intimidade. E isso é tanto mais específico, quanto se sabe do apego frequente dos portugueses aos  títulos e sinais de reverência.

     No domínio da linguística, para citar um exemplo, esse modo de ser parece refletir-se em nosso pendor acentuado para o emprego dos diminutivos. A terminação “inho”, aposta às palavras, serve para nos familiarizar mais com as pessoas ou os objetos e, ao mesmo tempo, para lhes dar relevo. É a maneira de fazê-los mais acessíveis aos sentidos e também de aproximá-los do coração. Sabemos como é frequente,  entre os portugueses, o zombarem de certos abusos desse nosso apego aos diminutivos, abusos tão ridículos para eles quanto o é para nós, muitas vezes, a pieguice lusitana, lacrimosa e amarga. Um estudo atento das nossas formas sintáticas traria, sem dúvida, revelações preciosas a esse respeito.

(Raízes do Brasil, 2016. Adaptado.)

¹ lhaneza: simplicidade, amabilidade.

Sobre o emprego dos diminutivos a que Sérgio Buarque de Holanda se refere no último parágrafo, o gramático brasileiro Evanildo Bechara afirma:

     Fora da ideia de tamanho, as formas aumentativas e  diminutivas podem traduzir o nosso desprezo, a nossa crítica, nosso pouco-caso para certos objetos e pessoas. A ideia de pequenez se associa facilmente à de carinho.

(Moderna Gramática Portuguesa, 2024. Adaptado.)

A manchete de notícia com palavra no diminutivo que expressa carinho é:

Alternativas

  1. A

    Especialistas alertam como ato cruel contra o cachorrinho Orelha está no Discord

    (https://dropsdejogos.uai.com.br, 07.02.2026.)

  2. B

    Leão-marinho invade barco para fazer uma boquinha e o incrível momento é registrado em vídeo

    (https://vejasp.abril.com.br, 10.11.2014.)

  3. C

    Jovem que se diz “famosinho” é preso suspeito de roubar carro em Vila Velha

    (www.folhavitoria.com.br, 28.10.2024.)

  4. D

    Jogador do Vitória leva carrinho forte e deixa jogo do Brasileirão de ambulância

    (www.espn.com.br, 12.06.2025.)

  5. E

    Motorista de BMW tenta “dar showzinho” em SC e acaba a pé

    (www.metropoles.com, 03.03.2025.)

Gabarito:
    A

Segundo o gramático brasileiro Evanildo Bechara, o diminutivo pode ser utilizado em Língua Portuguesa com diversas conotações: desprezo, crítica, pequenez e carinho. Dentre as alternativas apresentadas, a única que conota carinho é a “A”, na qual o autor se refere ao “cachorrinho” Orelha, utilizando-se do diminutivo de forma afetiva. No caso da alternativa B, “fazer uma boquinha” é uma expressão idiomática popular cristalizada na Língua Portuguesa do Brasil e quer dizer “fazer um lanche rápido”. Em C, “famosinho” adquire um teor irônico e debochado. Em D, o diminutivo em “carrinho” indica uma neologia semântica, ou seja, adquire um novo significado técnico já consagrado no meio futebolístico. Por fim, em E, o diminutivo em “showzinho” conota ideia pejorativa. 

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