Questão 2 - 1ª Fase - Einstein 2027

Gabarito

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  • Não visualizadas

  • Resolução pendente

  • ANL

    Questão anulada

  • S/A

    Sem alternativas

Questão 2

Objetiva
2

Para responder às questões de 01 a 03, leia um trecho de uma carta redigida por Djamila Ribeiro, destinada a sua avó.

     [...] um dia, no apartamento da minha irmã, comecei a chorar, pensando que eu era uma mãe ruim, que estava  sendo egoísta. Dara olhou fundo nos meus olhos e falou com a voz firme, quase me dando uma bronca: “Para de chorar! Você está estudando, você não abandonou sua filha. Se a mãe fosse viva daria dois tapas na sua cara pra você  acordar!”.

     [...]

     Quando a gente passa parte da vida se torturando, se colocando pra baixo, se culpando, é difícil parar. A gente faz isso pelo hábito. Mas as palavras da minha irmã, naquele momento, me acordaram de um sono profundo. Depois de um tempo, quando Thulane dizia orgulhosa para suas amiguinhas “Quando crescer, vou estudar em São Paulo como a minha mãe”, entendi a importância de mostrar a ela  outras formas de maternidade. E, sim, vó, era mesmo capaz de dona Erani me dar dois tapas na cara se estivesse viva. Já você teria feito um bolo de chocolate ou um doce de abóbora e teria adoçado minha vida.

     Foram anos complexos na faculdade, precisei ter ginga para estudar as autoras que me interessavam. Eu me deparei com um curso branco, masculino e eurocêntrico. Ouvi coisas como “não sei por que você está aqui queimando seus neurônios, poderia ser modelo”, “você é passista de qual escola?”, “deveria arrumar um gringo para casar, eles adoram mulheres como você”, “vamos deixar a parte mais fácil do trabalho para as meninas do grupo”, “o professor só te deu nota alta porque está a fim de você”.

(Cartas para minha avó, 2021.)

Embora seja um gênero textual escrito, a carta pessoal pode apresentar linguagem mais informal, que se distancia das normas gramaticais, considerando o grau de intimidade do autor com seu interlocutor. Na carta de Djamila Ribeiro, verifica-se a presença de informalidade no trecho:

Alternativas

  1. A

    “‘Para de chorar! Você está estudando, você não abandonou sua filha’” (1º parágrafo).

  2. B

    “Depois de um tempo, quando Thulane dizia orgulhosa” (2º parágrafo).

  3. C

    “um dia, no apartamento da minha irmã, comecei a chorar” (1º parágrafo).

  4. D

    “entendi a importância de mostrar a ela outras formas de maternidade” (2º parágrafo).

  5. E

    “Foram anos complexos na faculdade” (3º parágrafo).

Gabarito:
    A

Na sentença “Para de chorar!”, ocorre um emprego não literal do verbo. Esse emprego é gerado porque o verbo “parar” foi conjugado no presente do indicativo – “ela para” – representando, porém, uma ideia imperativa, usada para transmitir uma ordem. Nesse sentido, ao adequar o verbo à norma padrão, a mesma estrutura deveria ser redigida como “Pare de chorar!”. Trata-se de um fenômeno comum na língua falada, usado pela autora para expressar sua proximidade com a interlocutora da carta. 

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