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Durante décadas, a gestão das cadeias de suprimentos foi tratada como uma função essencialmente operacional, orientada quase exclusivamente pelo custo. Quanto mais barato, melhor. Quanto mais eficiente, mais competitivo. Essa lógica funcionou enquanto o ambiente global era relativamente estável e previsível. Nos últimos cinco anos, pandemias, conflitos armados, tensões geopolíticas, eventos climáticos extremos e o avanço das regulações ambientais transformaram profundamente o papel das cadeias globais de suprimentos. Elas deixaram de ser apenas um elo operacional para se tornar um dos principais vetores de risco, com impactos diretos sobre logística, disponibilidade de insumos e continuidade dos negócios.
(André Veneziani. Cadeia de suprimentos pode concentrar os maiores riscos corporativos de 2026.
https://exame.com, 05.03.2026. Adaptado.)
No contexto da Nova Divisão Internacional do Trabalho (NDIT), uma estratégia para mitigar os efeitos provocados pela transformação do papel das cadeias globais de suprimentos, mencionada no excerto, é
aproximar geograficamente os centros de produção, concentrando-os em países aliados.
fragmentar economicamente os territórios produtivos, isolando-os das empresas transnacionais.
inovar tecnologicamente o ambiente de negócios, tornando-o propriedade pública estatal.
especializar temporariamente a demanda produtiva, adensando-a entre países protecionistas.
dinamizar oportunamente os fluxos financeiros, investindo-os em bolsas de valores.
A questão aborda as transformações nas cadeias globais de suprimentos no contexto da Nova Divisão Internacional do Trabalho (NDIT). Historicamente, a fragmentação internacional da produção foi orientada pela redução dos custos, levando empresas transnacionais a distribuir diferentes etapas produtivas entre países.
Entretanto, acontecimentos recentes, como a pandemia de Covid-19, os conflitos geopolíticos e os eventos climáticos extremos, evidenciaram a vulnerabilidade desse modelo. A interrupção de atividades industriais, como a produção de semicondutores, demonstrou como a dependência de fornecedores geograficamente distantes pode comprometer cadeias produtivas inteiras.
Nesse cenário, estratégias como o nearshoring (aproximação geográfica da produção) e o friendshoring (priorização de países politicamente aliados) buscam reduzir riscos logísticos e geopolíticos.
Análise das alternativas
Alternativa A: Correta. A aproximação geográfica dos centros produtivos e sua concentração em países aliados contribuem para reduzir a exposição das empresas a interrupções logísticas, conflitos internacionais e restrições comerciais. A estratégia busca tornar as cadeias de suprimentos mais resilientes, diminuindo a dependência de fornecedores distantes ou localizados em territórios considerados geopoliticamente instáveis.
Alternativa B: Incorreta. A Nova Divisão Internacional do Trabalho caracteriza-se pela integração de diferentes territórios às redes produtivas comandadas pelas empresas transnacionais. O isolamento econômico dos espaços produtivos contraria essa organização e não representa uma estratégia eficiente para reduzir os riscos das cadeias de suprimentos.
Alternativa C: Incorreta. Embora a inovação tecnológica possa contribuir para a eficiência produtiva, a transformação das empresas em propriedades públicas estatais não constitui uma estratégia necessária para enfrentar os problemas apresentados. A questão trata da reorganização espacial e logística da produção, e não da estatização das atividades econômicas.
Alternativa D: Incorreta. A especialização temporária da demanda produtiva e sua concentração em países protecionistas não garantem maior segurança às cadeias de suprimentos. Pelo contrário, políticas protecionistas podem ampliar barreiras comerciais, elevar custos e dificultar a circulação internacional de mercadorias e insumos.
Alternativa E: Incorreta. A dinamização dos fluxos financeiros e os investimentos em bolsas de valores não solucionam diretamente os problemas logísticos apresentados. A questão discute a localização das unidades produtivas, a disponibilidade física de insumos e a continuidade das atividades industriais, e não a circulação de capitais no mercado financeiro.
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