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Para responder às questões de 06 a 10, leia um trecho do capítulo “O homem cordial”, da obra Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, cuja primeira publicação comemora 90 anos em 2026.
Já se disse que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade — daremos ao mundo o “homem cordial”. A lhaneza¹ no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro. Seria engano supor que essas virtudes possam significar “boas maneiras”, civilidade.
No “homem cordial”, a vida em sociedade é, de certo modo, uma verdadeira libertação do pavor que ele sente em viver consigo mesmo, em apoiar-se sobre si próprio em todas as circunstâncias da existência. Sua maneira de expansão para com os outros reduz o indivíduo, cada vez mais, à parcela social, periférica, que no brasileiro — como bom americano — tende a ser a que mais importa. Ela é antes um viver nos outros.
Nada mais significativo dessa aversão ao ritualismo social, que exige, por vezes, uma personalidade fortemente homogênea e equilibrada em todas as suas partes, do que a dificuldade em que se sentem, geralmente, os brasileiros, de uma reverência prolongada ante um superior. Nosso temperamento admite fórmulas de reverência, e até de bom grado, mas quase somente enquanto não suprimam de todo a possibilidade de convívio mais familiar. A manifestação normal do respeito em outros povos tem aqui sua réplica, em regra geral, no desejo de estabelecer intimidade. E isso é tanto mais específico, quanto se sabe do apego frequente dos portugueses aos títulos e sinais de reverência.
No domínio da linguística, para citar um exemplo, esse modo de ser parece refletir-se em nosso pendor acentuado para o emprego dos diminutivos. A terminação “inho”, aposta às palavras, serve para nos familiarizar mais com as pessoas ou os objetos e, ao mesmo tempo, para lhes dar relevo. É a maneira de fazê-los mais acessíveis aos sentidos e também de aproximá-los do coração. Sabemos como é frequente, entre os portugueses, o zombarem de certos abusos desse nosso apego aos diminutivos, abusos tão ridículos para eles quanto o é para nós, muitas vezes, a pieguice lusitana, lacrimosa e amarga. Um estudo atento das nossas formas sintáticas traria, sem dúvida, revelações preciosas a esse respeito.
(Raízes do Brasil, 2016. Adaptado.)
¹ lhaneza: simplicidade, amabilidade.
“Nosso temperamento admite fórmulas de reverência” (3º parágrafo)
Ao se transpor essa oração para a voz passiva, o verbo assume a seguinte forma:
é admitida.
é admitido.
são admitidas.
será admitida.
foram admitidos.
A questão pede a transposição da voz ativa para a voz passiva de um trecho do texto, para a correta identificação da forma verbal. Na voz ativa, a oração tem a seguinte forma: “Nosso temperamento admite fórmulas de reverência”. Na transposição para a voz passiva analítica, o objeto direto “fórmulas de reverência” se transforma em sujeito paciente; o verbo passa à locução formada pelo verbo “ser” (no mesmo tempo do verbo na voz ativa, o presente do indicativo), seguido da forma no particípio (“admitido”). Por fim, a locução concorda com o novo sujeito paciente (“são admitidas”) e o sujeito da voz ativa se transforma no agente da passiva (com a preposição “por”): Fórmulas de reverência são admitidas pelo nosso temperamento. Desse modo, o verbo assume a forma “são admitidas”.
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