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Para responder às questões de 07 a 10, leia a crônica intitulada “Pão em pílulas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 06.09.1901.
¹ Passando em certa rua do centro da cidade, vi à porta de uma loja uma prateleira grande em que havia, em grande número, umas pequeninas pílulas de um amarelo tostado. Defronte da prateleira, um cavalheiro, cuja atenção provavelmente fora como a minha atraída na passagem, gesticulava e resmungava:
— Nunca imaginei que fosse verdade o que dizem os jornais! Como se rouba o povo!
Intrigado, resolvi interpelar esse indignado cavalheiro:
— Que pílulas são estas, meu estimado senhor?
O homem olhou-me com espanto:
— Pílulas?! Que pílulas?
— Estas que aqui estão sobre a tábua, meu estimável senhor! Estes grânulos dosimétricos...
— Que grânulos dosimétricos, homem? Pois não está vendo que estas bolinhas são pães, pães de trigo, verdadeiros pães, pães legítimos?!
Enfiei... Mirei longamente o homem, mirei depois as bolinhas. Aproximei-me ainda mais da prateleira, e vi que o homem dizia a verdade: eram pães! Eram pães de quarenta
réis!
A princípio, fiquei indignado. Sem demora, porém, caminhando para a rua do Ouvidor, a reflexão me acalmou a cólera. Uma pílula de pão, por quarenta réis... realmente não é caro! Há pílulas menos baratas: as de arsênico, as de morfina, as de estricnina. E essas matam! Ao passo que as de pão não matam ninguém, — nem mesmo de indigestão!
De que se queixa o povo? Acredita o povo que os padeiros reduzam a tão fracas dimensões o pão nosso de cada dia apenas com o intuito de enriquecer à nossa custa? Não sabe o povo que o maior inimigo da saúde é o excesso de alimentação? Pode acaso ter saúde quem se empanturra de sol a sol, comendo desabaladamente? Não sabe o povo que o jejum é a base do aperfeiçoamento moral?
Na Índia, os fakirs, quando querem embeber a alma na contemplação divina, a primeira coisa que fazem é deixar de comer. A Santa Madre Igreja Católica muito sabiamente coloca entre as penitências indispensáveis o jejum. Encher o estômago é ficar igual às bestas; trazê-lo vazio é ficar igual aos anjos!
Os padeiros do Rio de Janeiro sabem perfeitamente disso. Não vão ao extremo de deixar o povo sem pão: mas procedem com sabedoria, servindo-lhe o trigo em glóbulos dosimétricos... Abençoada e providente classe!
(Registro: crônicas da Belle Époque carioca, 2011.)
“— Nunca imaginei que fosse verdade o que dizem os jornais! Como se rouba o povo!” (2° parágrafo)
Ao se transpor a fala do cavalheiro para o discurso indireto, os seguintes verbos deverão sofrer alteração em sua forma:
“imaginei” e “dizem”, apenas.
“imaginei”, “dizem” e “rouba”, apenas.
“fosse” e “dizem”, apenas.
“imaginei”, “fosse” e “dizem”, apenas.
“imaginei”, “fosse”, “dizem” e “rouba”.
Ao se transpor “- Nunca imaginei que fosse verdade o que dizem os jornais! Como se rouba o povo!” para o discurso indireto, apenas os verbos “imaginei”, “dizem” e “rouba” deverão sofrer modificação, dado que esses verbos são os únicos, desse trecho, cujos tempos verbais deverão ser adaptados: pretérito perfeito pretérito mais que perfeito; presente Pretérito imperfeito.
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