Questão 9 - Conhecimentos Gerais - Santa Casa 2027

Gabarito

Questão 9

Objetiva
9

Para responder às questões de 07 a 10, leia a crônica intitulada “Pão em pílulas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 06.09.1901.

¹    Passando em certa rua do centro da cidade, vi à porta de uma loja uma prateleira grande em que havia, em grande número, umas pequeninas pílulas de um amarelo tostado. Defronte da prateleira, um cavalheiro, cuja atenção provavelmente fora como a minha atraída na passagem, gesticulava e resmungava:

     — Nunca imaginei que fosse verdade o que dizem os jornais! Como se rouba o povo!

     Intrigado, resolvi interpelar esse indignado cavalheiro:

     — Que pílulas são estas, meu estimado senhor?

5   O homem olhou-me com espanto:

     — Pílulas?! Que pílulas?

     — Estas que aqui estão sobre a tábua, meu estimável senhor! Estes grânulos dosimétricos...

     — Que grânulos dosimétricos, homem? Pois não está vendo que estas bolinhas são pães, pães de trigo, verdadeiros pães, pães legítimos?!

     Enfiei... Mirei longamente o homem, mirei depois as bolinhas. Aproximei-me ainda mais da prateleira, e vi que o homem dizia a verdade: eram pães! Eram pães de quarenta
réis!

10 A princípio, fiquei indignado. Sem demora, porém, caminhando para a rua do Ouvidor, a reflexão me acalmou a cólera. Uma pílula de pão, por quarenta réis... realmente não é caro! Há pílulas menos baratas: as de arsênico, as de morfina, as de estricnina. E essas matam! Ao passo que as de pão não matam ninguém, — nem mesmo de indigestão!

     De que se queixa o povo? Acredita o povo que os padeiros reduzam a tão fracas dimensões o pão nosso de cada dia apenas com o intuito de enriquecer à nossa custa? Não sabe o povo que o maior inimigo da saúde é o excesso de alimentação? Pode acaso ter saúde quem se empanturra de sol a sol, comendo desabaladamente? Não sabe o povo que o jejum é a base do aperfeiçoamento moral?

     Na Índia, os fakirs, quando querem embeber a alma na contemplação divina, a primeira coisa que fazem é deixar de comer. A Santa Madre Igreja Católica muito sabiamente coloca entre as penitências indispensáveis o jejum. Encher o estômago é ficar igual às bestas; trazê-lo vazio é ficar igual aos anjos!

     Os padeiros do Rio de Janeiro sabem perfeitamente disso. Não vão ao extremo de deixar o povo sem pão: mas procedem com sabedoria, servindo-lhe o trigo em glóbulos dosimétricos... Abençoada e providente classe!

(Registro: crônicas da Belle Époque carioca, 2011.)

“— Nunca imaginei que fosse verdade o que dizem os jornais! Como se rouba o povo!” (2° parágrafo)

Ao se transpor a fala do cavalheiro para o discurso indireto, os seguintes verbos deverão sofrer alteração em sua forma:

Alternativas

  1. A

    “imaginei” e “dizem”, apenas.

  2. B

    “imaginei”, “dizem” e “rouba”, apenas.

  3. C

    “fosse” e “dizem”, apenas.

  4. D

    “imaginei”, “fosse” e “dizem”, apenas.

  5. E

    “imaginei”, “fosse”, “dizem” e “rouba”.

Gabarito:
    B

Ao se transpor “- Nunca imaginei que fosse verdade o que dizem os jornais! Como se rouba o povo!” para o discurso indireto, apenas os verbos “imaginei”, “dizem” e “rouba” deverão sofrer modificação, dado que esses verbos são os únicos, desse trecho, cujos tempos verbais deverão ser adaptados: pretérito perfeito → pretérito mais que perfeito; presente → Pretérito imperfeito.

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