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Nos espaços da Península Ibérica, articularam-se e amal-gamaram-se povos de culturas hispano-romanas e germânicas que, espalhando-se a partir de intensos conflitos, construíram um ordenamento jurídico e uma única fé, a católica, com a criação dos primeiros bispados em Toledo e Braga e com a uniformidade litúrgica sendo definida no Reino Visigodo em 633. Se não é possível afirmar uma homogeneização completa, é certo considerar o papel central dos visigodos entre os séculos V e VIII neste processo, especialmente pela criação do Código Visigótico que abrangeu toda a península e definiu os termos de uma sociedade com seu clero e sua nobreza militar desfrutando de privilégios em relação ao conjunto da população, à época chamado “povo”.
(Ana Nemi. História Ibérica, 2024.)
No contexto descrito pelo excerto, o Código Visigótico foi responsável pela
substituição da influência episcopal por instituições civis responsáveis pela administração da fé cristã.
preservação das diferenças legais entre visigodos católicos e populações vinculadas a outras tradições religiosas.
ampliação da autonomia das comunidades religiosas locais diante da autoridade régia.
consolidação de critérios comuns de pertencimento em uma sociedade culturalmente heterogênea.
separação entre as normas religiosas e as leis aplicadas aos habitantes da Península Ibérica.
O excerto fala do processo de "fusão" entre povos de culturas hispano-romanas e germânicas, no contexto de crise do Império Romano e emergência dos reinos germânicos.
O termo "amalgamaram-se" sugere essa fusão, tendo "uma única fé, a católica", como novo elemento de unidade e coesão social, apesar dos "intensos conflitos" e de nunca haver uma homogeneização.
Neste sentido, o Código Visigótico teve um papel central ao consolidar critérios comuns de pertencimento em uma sociedade culturalmente heterogênea (hispano-romana e germânica) unificada pela fé cristã.
Distratores:
Alternativa A: o texto aponta justamente para a importância da Igreja e do clero, não para sua substituição por instituições civis. A Igreja continuou tendo papel central no mundo medieval.
Alternativa B: o Código buscou estabelecer normas jurídicas comuns para diferentes populações, não preservar diferenças legais entre elas.
Alternativa C: o Código reforçava a organização política e jurídica do reino, portanto não significou uma ampliação da autonomia das comunidades religiosas perante o rei; mas, ao contrário, a afirmação do poder real.
Alternativa E: o processo descrito foi de aproximação entre as dimensões política, jurídica e religiosa, e não de separação entre normas religiosas e leis civis.
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