Questão 25 - Conhecimentos Gerais - Santa Casa 2027

Gabarito

Questão 25

Objetiva
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     Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), mais conhe-cido como Tiradentes, foi executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro. E sua representação física, criada 100 anos mais tarde, é muito semelhante à imagem mais recorrente de Jesus Cristo. “Não havia representação visual de Tiradentes e os artistas tiveram liberdade para desenhá-lo como desejaram. Um país católico, com um herói com traços nazarenos, inventados por artistas desde o nascimento da República. Sua escolha não foi aleatória”, aponta o historiador André Figueiredo Rodrigues. Uma escolha, sim. Afinal, não foram poucas as revoltas, motins e rebeliões ocorridas no Brasil colônia nas décadas que antecederam a indepen-dência. Mas enquanto boa parte desses ativistas permaneceram anônimos e mesmo os episódios são pouco abordados, a chamada Inconfidência Mineira é assunto conhecido por todos — e Tiradentes tornou-se um ícone nacional, a ponto de até merecer feriado.

(www.bbc.com, 20.04.2022. Adaptado.)

De acordo com o excerto, a construção do conhecimento histórico baseia-se na

Alternativas

  1. A

    substituição dos fatos históricos por narrativas religiosas.

  2. B

    recuperação fiel dos acontecimentos registrados pelas fontes da época.

  3. C

    preservação uniforme da memória dos diferentes grupos sociais.

  4. D

    reprodução das interpretações predominantes no período estudado.

  5. E

    seleção de personagens e acontecimentos considerados relevantes.

Gabarito:
    E

O ponto central do excerto é mostrar que a memória histórica não é uma reprodução automática de tudo o que aconteceu. O excerto da questão trata da construção de representações históricas e memórias políticas. Tiradentes foi uma liderança da Conjuração Mineira (Inconfidência) de 1789, que propunha a ruptura das Minas Gerais em relação à Coroa Portuguesa; foi executado em abril de 1792. Cem anos depois, sua figura é resgatada para construção de um mártir republicano.  

A república brasileira, proclamada em 1889 sem forte apoio popular, buscou estratégias de legitimação. Neste sentido, busca construir a figura de Tiradentes como um “mártir” republicano. Nesse processo de construção simbólica, associa-o à figura de Jesus, dialogando com o catolicismo enraizado na população brasileira. O excerto destaca como essa escolha não foi aleatória, mas com intencionalidade política, optando por Tiradentes em detrimento de outros personagens e revoltas ocorridas no Brasil. A questão avalia se o candidato é capaz de compreender que a construção do conhecimento histórico e da memória não são processos neutros, mas carregados de intencionalidades, afinal, a seleção de personagens e acontecimentos considerados relevantes (alternativa E) é uma escolha, dentre as mais diversas possibilidades.  

Distratores:  

Alternativa A: não houve substituição dos fatos históricos por narrativas religiosas. A associação de Tiradentes à imagem de Cristo é apresentada como parte da construção posterior de sua representação. 

Alternativa B: o excerto mostra justamente que não ocorre uma recuperação necessariamente fiel. A imagem de Tiradentes foi produzida cerca de um século depois de sua morte, quando não havia uma representação visual conhecida dele. 

Alternativa C: a memória não é preservada de maneira uniforme. O texto mostra que alguns personagens e acontecimentos são lembrados muito mais do que outros. 

Alternativa D: não se trata simplesmente de reproduzir interpretações predominantes do período estudado. A própria representação de Tiradentes foi construída posteriormente, em outro contexto histórico. 

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