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Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), mais conhe-cido como Tiradentes, foi executado em 21 de abril de 1792 no Rio de Janeiro. E sua representação física, criada 100 anos mais tarde, é muito semelhante à imagem mais recorrente de Jesus Cristo. “Não havia representação visual de Tiradentes e os artistas tiveram liberdade para desenhá-lo como desejaram. Um país católico, com um herói com traços nazarenos, inventados por artistas desde o nascimento da República. Sua escolha não foi aleatória”, aponta o historiador André Figueiredo Rodrigues. Uma escolha, sim. Afinal, não foram poucas as revoltas, motins e rebeliões ocorridas no Brasil colônia nas décadas que antecederam a indepen-dência. Mas enquanto boa parte desses ativistas permaneceram anônimos e mesmo os episódios são pouco abordados, a chamada Inconfidência Mineira é assunto conhecido por todos — e Tiradentes tornou-se um ícone nacional, a ponto de até merecer feriado.
(www.bbc.com, 20.04.2022. Adaptado.)
De acordo com o excerto, a construção do conhecimento histórico baseia-se na
substituição dos fatos históricos por narrativas religiosas.
recuperação fiel dos acontecimentos registrados pelas fontes da época.
preservação uniforme da memória dos diferentes grupos sociais.
reprodução das interpretações predominantes no período estudado.
seleção de personagens e acontecimentos considerados relevantes.
O ponto central do excerto é mostrar que a memória histórica não é uma reprodução automática de tudo o que aconteceu. O excerto da questão trata da construção de representações históricas e memórias políticas. Tiradentes foi uma liderança da Conjuração Mineira (Inconfidência) de 1789, que propunha a ruptura das Minas Gerais em relação à Coroa Portuguesa; foi executado em abril de 1792. Cem anos depois, sua figura é resgatada para construção de um mártir republicano.
A república brasileira, proclamada em 1889 sem forte apoio popular, buscou estratégias de legitimação. Neste sentido, busca construir a figura de Tiradentes como um “mártir” republicano. Nesse processo de construção simbólica, associa-o à figura de Jesus, dialogando com o catolicismo enraizado na população brasileira. O excerto destaca como essa escolha não foi aleatória, mas com intencionalidade política, optando por Tiradentes em detrimento de outros personagens e revoltas ocorridas no Brasil. A questão avalia se o candidato é capaz de compreender que a construção do conhecimento histórico e da memória não são processos neutros, mas carregados de intencionalidades, afinal, a seleção de personagens e acontecimentos considerados relevantes (alternativa E) é uma escolha, dentre as mais diversas possibilidades.
Distratores:
Alternativa A: não houve substituição dos fatos históricos por narrativas religiosas. A associação de Tiradentes à imagem de Cristo é apresentada como parte da construção posterior de sua representação.
Alternativa B: o excerto mostra justamente que não ocorre uma recuperação necessariamente fiel. A imagem de Tiradentes foi produzida cerca de um século depois de sua morte, quando não havia uma representação visual conhecida dele.
Alternativa C: a memória não é preservada de maneira uniforme. O texto mostra que alguns personagens e acontecimentos são lembrados muito mais do que outros.
Alternativa D: não se trata simplesmente de reproduzir interpretações predominantes do período estudado. A própria representação de Tiradentes foi construída posteriormente, em outro contexto histórico.
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