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O excerto abaixo pertence ao conto A viúva Montiel, do livro Os funerais da Mamãe Grande.
“Na verdade, seu negócio não era a morte dos pobres, mas sim a expulsão dos ricos. Depois que o alcaide perfurava suas portas a tiros e lhes dava um prazo para abandonar o lugarejo, José Montiel lhes comprava as terras e o gado por um preço que ele mesmo se encarregava de fixar.
— Não seja bobo — dizia-lhe a mulher. — Você vai arruinar-se ajudando-os para que não morram de fome em outro lugar e eles nunca irão agradecer-lhe.”
(MÁRQUEZ, G. G. A viúva Montiel. IN: Os funerais da Mamãe Grande. Tradução de Edson Braga. Rio de Janeiro: Record, 2023, p. 86–87.)
Sobre essa passagem, considerada no contexto geral do conto, é correto afirmar que
o narrador faz uso do paradoxo, construído por meio da oposição entre ricos e pobres, morte e expulsão, tiros e compra.
a personagem faz uso do paradoxo, já que, segundo seu raciocínio, a ajuda leva à ruína e não à gratidão.
o narrador faz uso da ironia, que se constrói ao mostrar a personagem em uma situação na qual ela ignora algo que é do conhecimento do leitor.
a personagem faz uso da ironia, uma vez que atribui ao marido uma intenção que sabe não ser a dele, buscando um efeito cômico.
c) Correta. Na passagem do conto “A Viúva Montiel”, transcrita na questão, a personagem da viúva não se dá conta de que seu falecido marido enriqueceu usando da violência contra os mais frágeis. Por essa razão, a fala dela soa irônica, pois ela desconhece um dado que o narrador do texto já havia anunciado e, portanto, era do conhecimento do leitor.
a) Incorreta. Embora o fragmento do conto revele o choque entre poderosos (o falecido José Montiel) e os mais pobres, isso não constitui um paradoxo, uma figura de linguagem em que elementos opostos, apesar de conflitantes, formam uma verdade. Esse não é o caso dos termos opostos como “ricos” e “pobres” presentes no fragmento.
b) Incorreta. Afirmar que a “gratidão leva à ruína”, não constitui um paradoxo, pois os termos formam apenas um contraste.
d) Incorreta. Não é possível atribuir intenção irônica à fala da viúva, uma vez que ela desconhece o que o marido de fato fazia: usava da violência para expulsar os mais pobres e se apropriar dos seus bens.
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