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Em 1993, o filósofo argentino radicado do México, Enrique Dussel, publicou o livro 1492. O encobrimento do outro: a origem e o mito da modernidade. Conhecido por ser um dos principais expoentes da filosofia da libertação, Dussel explica da seguinte maneira o nascimento da modernidade:
“O ano de 1492, segundo nossa tese central, é a data do nascimento da Modernidade, embora sua gestação – como o feto – leve um tempo de crescimento intrauterino. A modernidade originou-se nas cidades europeias medievais, livres, centros de enorme criatividade. Mas nasceu quando a Europa pôde se confrontar com o seu Outro e controlá-lo, vencê-lo, violentá-lo, colonizá-lo: quando pôde se definir como um ego descobridor, conquistador, colonizador da Alteridade constitutiva da própria Modernidade. (...) A tarefa, portanto, é desenvolver uma filosofia do diálogo, como parte de uma filosofia da libertação do oprimido, do incomunicado, do excluído, do Outro.”
(DUSSEL, E. 1492. O encobrimento do outro: a origem e o mito da modernidade. Petrópolis: Editora Vozes, 1993, p. 8.)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
o ego moderno não se constitui apenas pelo Penso, logo existo, de Descartes, mas também pela conquista e colonização do Outro.
a filosofia moderna é a filosofia do diálogo travado com o Outro, descoberto pelos europeus a partir da chegada de Cristovam Colombo nas Américas, em 1492.
a modernidade, por definição contraditória, origina-se dos escombros da Idade Média e implica, ao mesmo tempo, progresso e retrocesso, conquista e violência.
a filosofia da libertação surge para colocar em diálogo europeus e colonizados e dirimir a violência da colonização promovida pelo ego descobridor.
O texto apresenta a constituição do sujeito moderno à conquista e à negação da alteridade. Este seria o momento em que se depositou uma nova camada a um pensamento “moderno” que vinha se construindo nas cidades europeias desde fins da Idade Média. É central para a resposta que o autor denuncia o encobrimento da alteridade, calcado na violência e no apagamento, e propõe a filosofia do diálogo como parte de um projeto de libertação dos oprimidos e excluídos. Nesse sentido, a alternativa A é a correta, pois expressa mais diretamente a tese central do pensador. A alternativa B está incorreta porque propõe a filosofia moderna como uma filosofia forjada no diálogo com os povos encontrados pelos europeus; minimizando o seu caráter violento e controlador. A alternativa C está incorreta porque, embora reconheça a violência como elemento constitutivo da modernidade, atribui ao texto uma definição geral da modernidade como processo necessariamente contraditório sem contemplar aquilo que para o autor é o marco constitutivo da modernidade (a conquista do Outro). A alternativa D apresenta o diálogo como meio de dirimir a violência. No entanto, o texto enfatiza a libertação dos oprimidos, dos incomunicados e dos excluídos, sem reduzir a proposta filosófica à mediação entre europeus e colonizados.
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