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Em 1864, rebeliões escravas como as de Serro e Diamantina evidenciaram de que modo africanos e seus descendentes mobilizavam o letramento, em suas múltiplas formas, para decifrar o mundo ao redor e instruir aqueles apartados da cultura escrita. À revelia dos contemporâneos que condenavam e temiam a educação dos escravizados, práticas letradas floresciam nos mais diversos espaços. Os insurgentes trocavam cartas entre minas e vilas, faziam circular jornais pelos campos e debatiam a política imperial em reuniões discretas nas senzalas. No ano seguinte, em 1865, a leitura coletiva voltou a ocupar o centro de uma revolta escrava na província do Pará.
Isadora Moura Mota. Freedom’s Horizon, 2025 (Traduzido e adaptado).
O excerto apresentado destaca a importância da leitura e da educação na criação de processos políticos fundamentais no século XIX brasileiro. A partir da leitura do texto e de Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta, é correto afirmar:
A obra Opúsculo Humanitário, assim como o excerto, relata episódios da luta política de grupos de escravizados no Brasil, especialmente de mulheres e indígenas, defendendo prioritariamente a educação desses grupos como forma de insurgência política e de ampliação da justiça social.
Em perspectiva mais ampla do que a apresentada pelo excerto, Opúsculo Humanitário defende o direito das mulheres brasileiras brancas, indígenas e negras à educação, narrando a trajetória de personagens femininas que ganham sua emancipação por meio da leitura.
Enquanto o excerto enfatiza a importância política de práticas educativas comunitárias e informais no século XIX brasileiro, Opúsculo Humanitário defende o direito à educação de mulheres pela adoção de sistemas educacionais europeus, especialmente portugueses.
Diferentemente das práticas de letramento reveladas pelo excerto, focadas na questão social e racial da escravidão no Brasil do século XIX, Opúsculo Humanitário defende o direito à educação de mulheres brancas e indígenas brasileiras, sem relacioná-lo aos ideais da abolição.
Opúsculo Humanitário, ao defender o direito à educação e à leitura das mulheres brancas, negras e indígenas do Brasil, apoia as práticas informais de letramento dos escravizados apontadas pelo excerto e posiciona-se como uma apologia dos ideais abolicionistas no Brasil do século XIX.
No Opúsculo Humanitário, Nísia Floresta propõe melhorias para a educação das mulheres brancas e a educação das indígenas brasileiras. Embora a autora condenasse a escravidão, em nenhum momento ela propõe a educação das mulheres negras escravizadas, tampouco relaciona a questão da educação das mulheres brancas e indígenas à questão da abolição da escravidão.
Observa-se que Nísia Floresta não propunha uma insurgência política (revolta) nem defendia os métodos de educação portugueses (que são duramente criticados).
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