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Chamavam-lhe Pombinha. Bonita, posto que enfermiça e nervosa ao último ponto; loura, muito pálida, com uns modos de menina de boa família. A mãe não lhe permitia lavar, nem engomar, mesmo porque o médico a proibira expressamente. Pombinha era muito querida por toda aquela gente. Prezavamna com muito respeito e davam-lhe presentes, o que lhe permitia certo luxo relativo. Andava sempre de botinhas ou sapatinhos com meias de cor, seu vestido de chita engomado; tinha as suas joiazinhas para sair à rua, e, aos domingos, quem a encontrasse à missa na igreja de São João Batista, não seria capaz de desconfiar que ela morava em cortiço.
Aluísio Azevedo. O Cortiço (Adaptado).
Chamavam-me lesma! Mole! Palerma! E riam-se das minhas quedas, da minha magreza e da minha timidez. Eu em começo estranhava aquela moradia, com tanta gente, tanto barulho, num corredor tão comprido e infecto onde o ar entrava contrafeito, a água das barrelas se empoçava entre as pedras desiguais da calçada. Minha mãe não permitia que eu me desembaraçasse como as outras; tinha sempre os olhos em mim, eu sentia-os às vezes como brasas, a queimarem-me a pele.
Júlia Lopes de Almeida. Memórias de Martha.
Considerando a construção das personagens nos excertos, a relação intertextual estabelecida entre elas é corretamente interpretada em:
Enquanto Aluísio Azevedo constrói Pombinha adaptada às condições de vida do cortiço, Júlia Lopes de Almeida privilegia em sua narradora a interiorização da experiência vivida e a busca por outros caminhos.
Ambos os autores representam a fragilidade feminina como traço biológico determinante, reforçando os pressupostos naturalistas de hereditariedade e degenerescência associados ao meio.
Júlia Lopes de Almeida, diferentemente de Aluísio Azevedo, abandona qualquer preocupação social, concentrando-se apenas na introspecção psicológica da narradora.
Aluísio Azevedo nega a Pombinha qualquer possibilidade de reflexão, ao passo que Júlia Lopes de Almeida apresenta Martha como plenamente emancipada do meio social.
O diálogo intertextual entre as personagens encontra-se obscurecido, o que torna a construção das personagens Pombinha e Martha pouco comparável.
No texto 1, Pombinha é apresentada como uma jovem bonita e querida por todos, demonstrando estar bem adaptada às condições de vida no cortiço. No texto 2, Martha recorda que sempre se sentiu maltratada e rejeitada no cortiço em que vivia. Sua experiência naquele ambiente foi marcada pelo desprezo e pela insatisfação. Dessa forma, desde cedo, interiorizou o desejo de buscar outro caminho que lhe permitisse sair daquele lugar.
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