Questão 3 - V1 - Fuvest 2027

Gabarito

Questão 3

Objetiva
3

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra. 

Carlos Drummond de Andrade. No meio do caminho. 

O que agora parece claro e evidente para mim é que nem o futuro, nem o passado existem, e é impróprio dizer que há três tempos: passado, presente e futuro. Talvez fosse mais correto dizer: há três tempos: o presente do passado, o presente do presente e o presente do futuro. E essas três espécies de tempos existem em nossa mente, e não as vejo em outra parte. O presente do passado é a memória; o presente do presente é a percepção direta; o presente do futuro é a esperança. Se me é lícito falar assim, vejo e confesso que há três tempos. Diga-se também que são três os tempos: presente, passado e futuro, como abusivamente afirma o costume. 

Agostinho. Confissões, capítulo XX (Adaptado). 

Articulando os dois textos, torna-se possível compreender a experiência do eu lírico em relação à pedra, descrita no célebre poema de Drummond. Qual das alternativas a seguir NÃO é coerente com essa compreensão? 

Alternativas

  1. A

    A pedra, em certo sentido, ainda está presente para o eu lírico, embora não na forma de uma presença objetiva.

  2. B

    A pedra se mantém presente a partir de um passado que o eu lírico conserva consigo, mediado pela memória.

  3. C

    A pedra é prospectada pelo eu lírico, guarda relação com o passado e permanece constantemente presente para ele.

  4. D

    A pedra se conservou, manteve-se sem mudanças, e assim perdura como fato sempre presente, entre o passado e o futuro.

  5. E

    O eu lírico permanece vinculado à memória de uma pedra que, no presente, está ausente de toda percepção atual.

Gabarito:
    D

A alternativa é incoerente, pois considera que a pedra se conserva como fato sempre presente, mantendo-se sem mudanças. Porém, Agostinho diz que “o presente do passado é a memória”; ou seja, segundo esse pensamento, a pedra, um evento passado na vida do eu lírico, é apenas memória (um presente do passado), e não mais um fato presente, o que configuraria, sim, uma mudança.

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