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A internet vai nos enlouquecer?
Eu tenho uma lembrança clara de um tempo que mais parece uma realidade paralela, mas que arrisco ser 2004. Nesse passado distante, uma amiga tinha voltado de uma viagem ao Japão e contava, abismada: “Você acredita que eles ficam o tempo todo com o celular na mão? No metrô, nas filas, nas lojas. Eles mal conversam entre si, não enxergam o que está ao redor, só olham para a tela do celular”.
Minha sensação na hora foi de choque e curiosidade. Também um pouco de pena, por tudo que eles estavam perdendo ao ficarem presos ao telefone. Carreguei, durante alguns anos, a curiosidade sobre o que será que acontece dentro de um celular a ponto de você deixar de olhar para a vida real; mas, como você pode imaginar, não demorou até ser substituída por “ok, já entendi, chegamos lá”.
A verdade é que os efeitos da conexão vinte e quatro horas por dia ainda são um mistério para a humanidade. Você pode até acreditar na previsão de que, no futuro, a ideia de estarmos conectados o tempo todo parecerá tão absurda quanto a de fumar em um avião, mas me parece que já estamos em uma emergência, sem máscaras de oxigênio caindo sobre nós.
CERIBELLI, Marcela. Aurora: o despertar da mulher exausta.
Rio de Janeiro: Harper Collins, 2024 (adaptado).
A metáfora presente no trecho “me parece que já estamos em uma emergência, sem máscaras de oxigênio caindo sobre nós” é utilizada pela autora para
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