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Esboço de Eva
Deito-me sob a azul desta tenda.
Luz sobre prata é o sol – por entre a fenda –
bordando o chão
em ponta de cruz e fogo com as linhas de sua mão –
candeia ardente onde me inundo,
itinerário de espelhos sobre o mundo.
“Ó vaidade! Causa primeira!"
quem pôs diante de mim
este fogo-espelho para que eu me arda inteira e me faça
bela assim?
[...]
Ser dona de seu destino
e cantar o próprio hino,
isto somente exijo
à mulher que ora dirijo.
Neste escolhido rumo,
O amor serve de prumo.
E assim vou: escrevendo-me nos dias que nascem,
descrevendo-me nas noites que morrem;
Sendo a mãe que os filhos vela
e sendo os filhos que dormem;
A semente que gera o início
e o fim que a semente gera,
sendo o útero quase-vício
e o embrião que espera.
Meu enorme grito bem alto, para que eu mesma não o negue:
Sou EVA. Seguindo a Eva que ainda me segue.
FREITAS, Lenillde. In: LIMA, Ricardo. V. Roteiro da poesia brasileira anos 80. São Paulo: Global, 2010 (fragmento).
Nesse fragmento, ao resgatar a imagem mítica de Eva, o eu lírico apresenta-se como símbolo do feminino que reflete a
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