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Texto 1
Grupos e discursos negacionistas são compreendidos de forma mais adequada em função de seu investimento sistemático na fabricação de falsas controvérsias científicas. Boa parte do investimento negacionista está concentrado nas franjas das relações com as ciências estabelecidas. Não se trata de um mero repúdio “pseudo” ou “anticientífico”, mas de uma região de sobreposição em que esforços negacionistas se digladiam para estender suas fronteiras em face das ciências. Os negacionismos se concentram nessa região cinzenta, apropriando-se deliberadamente de retóricas e credenciais científicas, com vistas a persuadir terceiros, criando dissensos e incertezas.
(Adaptado de SZWAKO, J. Os sentidos da crise ou manifesto reflexivo sobre negacionismos e ciências. Estudos Avançados, vol. 39, n.113, p.10–11, 2025.)
Texto 2

(Reproduzido de SZWAKO, J. Os sentidos da crise ou manifesto reflexivo sobre negacionismos e ciências. Estudos Avançados, vol. 39, n.113, p.10, 2025.)
A partir da leitura dos textos, é correto afirmar que grupos e discursos negacionistas
se beneficiam de falsas controvérsias científicas para produzir desinformação e se afirmarem como forças anticientíficas na sociedade.
se opõem às ciências estabelecidas, produzindo falsas controvérsias científicas como modo de buscar legitimidade junto aos grupos sociais.
se apropriam de retóricas e credenciais científicas para produzir falsas controvérsias que visam gerar dissensos e incertezas na sociedade.
se sobrepõem a dissensos e incertezas existentes na sociedade para produzir desinformação e negar a existência das ciências estabelecidas.
A questão aborda os mecanismos de produção social do negacionismo científico, fundamentando-se na análise de José Szwako.
Alternativa A: incorreta. Reduz o negacionismo a uma postura explicitamente anticientífica, desconsiderando sua apropriação estratégica da autoridade científica.
Alternativa B: incorreta. Enfatiza a oposição às ciências estabelecidas, deixando em segundo plano a atuação dos negacionistas nas fronteiras da legitimidade científica.
Alternativa C: correta. Reconhece que discursos negacionistas se apropriam da linguagem e das credenciais científicas para fabricar falsas controvérsias, buscando produzir incertezas e conquistar legitimidade social. Como exemplo, movimentos antivacinação podem utilizar estudos isolados ou pesquisas metodologicamente frágeis para questionar consensos científicos amplamente fundamentados, criando uma aparência de debate legítimo.
Alternativa D: incorreta. Inverte a relação causal apresentada pelo autor, ao tratar dissensos e incertezas como condições previamente existentes, quando a fabricação dessas controvérsias constitui justamente um mecanismo de produção da desinformação.
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