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Texto 1

(Dados primários: IBGE, Censos Demográficos. Adaptado de GUIMARÃES, A. S. A. Raça e cor no Brasil contemporâneo, oportunismo político e tendência histórica. Revista de Antropologia, n.67, p. 4, 2024.)
Texto 2
Nos últimos 150 anos, o Brasil passou por mudanças demográficas importantes em relação à composição racial de sua população. Esse fenômeno não pode ser explicado somente pelo crescimento vegetativo diferencial entre os grupos raciais, nem pelas mudanças na questão censitária que mede cor/raça, ou pelo uso da hetero ou autoclassificação. Para explicar tais mudanças durante esse longo período, alterações nas ideologias raciais brasileiras – embranquecimento, mestiçagem, negritude – parecem mais importantes que os incentivos materiais criados nos últimos vinte anos pelas políticas públicas de combate às desigualdades raciais. Tais ideologias nacionais conviveram e ainda convivem entre si, incapazes de suplantar umas às outras.
(Adaptado de GUIMARÃES, A. S. A. Raça e cor no Brasil contemporâneo, oportunismo político e tendência histórica. Revista de Antropologia, n. 67, p. 16, 2024.)
De acordo com os textos, a mudança na composição racial no Brasil, ao longo dos anos, pode ser explicada majoritariamente
pela intervenção do Estado, que produz as ideologias raciais hegemônicas de cada período histórico e atua nos processos de embranquecimento, mestiçagem e negritude.
por disputas de classificações, abarcadas nas diferentes ideologias raciais brasileiras, com impacto na produção de políticas públicas e na forma como os indivíduos se percebem.
pela ação racional com relação a fins de indivíduos interessados em se classificar como brancos, pretos ou pardos, a depender dos benefícios sociais que tal posição racial produz.
pelos limites do instrumento e da metodologia de coleta de informações raciais que, ao longo dos últimos 150 anos, foram aprimorados e se tornaram mais precisos.
A questão aborda a construção histórica das classificações raciais no Brasil, fundamentando-se na análise de Antônio Sérgio Guimarães. A alternativa B reconhece que as transformações na composição racial registradas pelos censos estão relacionadas às disputas simbólicas entre diferentes ideologias raciais, como o embranquecimento, a mestiçagem e a negritude. Essas ideologias influenciam os processos de identificação racial e as políticas públicas, evidenciando o caráter socialmente construído das categorias de raça e cor. Como exemplo, a valorização da negritude, fortalecida historicamente pela atuação dos movimentos negros, pode ter contribuído para o crescimento recente da proporção de brasileiros que se autodeclaram pretos, observado no gráfico. A alternativa A atribui ao Estado um protagonismo determinante na produção das ideologias raciais, desconsiderando sua construção e coexistência nas relações sociais. A alternativa C reduz a identificação racial a uma ação racional orientada por benefícios individuais, contrariando a centralidade dos processos históricos e simbólicos defendida pelo autor. Por fim, a alternativa D superestima as mudanças metodológicas dos censos, apresentadas no texto como insuficientes para explicar as transformações observadas.
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