Questão 52 - Unicamp - T_X - Unicamp 2027

Gabarito

Questão 52

Objetiva
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Leia o poema de José Paulo Paes a seguir:

À Bengala

Contigo me faço
Pastor do rebanho
De meus próprios passos.

(PAES, J. P. Prosas seguidas de Odes Mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 61.)



No poema, a palavra e o objeto bengala, com quem dialoga o eu-lírico,

Alternativas

  1. A

    indicam apoio material como extensão da imaginação, fantasia consequente da dificuldade de comparação entre o rebanho e os passos do eu-lírico.

  2. B

    exprimem apoio psicológico como extensão do trauma, imagem recuperada pela associação entre os passos do rebanho e os do eu-lírico.

  3. C

    expressam o protagonismo daquele que conduz, condição recuperada pela aproximação semântica entre as palavras bengala e cajado.

  4. D

    invocam a fragilidade daquele que lamenta, dissolução sintática criada pela substituição da palavra cajado pela palavra bengala.

Gabarito:
    C

O poema de José Paulo Paes apresenta um objeto comum – a bengala – como símbolo de sua capacidade de conduzir os próprios passos, como se formassem um rebanho (daí a aproximação semântica entre as palavras “bengala” e “cajado” – uma vara usada pelos pastores na condução de seus rebanhos). Ao comparar-se a um pastor, o eu poético coloca-se como aquele que conduz, dirige, orienta e, por isso, é o protagonista de seus caminhos (os “passos” de que fala o verso final). 

Alternativa A: incorreta. Não há “dificuldade de comparação entre o rebanho e os passos do eu-lírico”, a qual, aliás, está efetivada no texto. 

Alternativa B: incorreta. A alternativa indica que a “bengala” é um apoio psicológico. Todavia, no poema, ela permite ao eu-lírico recuperar sua condição de senhor dos próprios passos. Assim, não se trata de um apoio apenas, mas de objeto que possibilita superação do trauma associado à condição de sujeito debilitado – sentido usualmente atribuído à bengala. 

Alternativa D: incorreta. A alternativa afirma que a associação entre a palavra e o objeto (bengala) expressa a fragilidade do eu-lírico. Essa afirmação contradiz o poema, no qual o sujeito poético se apresenta como aquele que conduz – como um pastor – o rebanho dos seus passos. 

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