Questão 50 - Unicamp - T_X - Unicamp 2027

Gabarito

Questão 50

Objetiva
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“Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia — algumas vezes gemendo — mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, soltava um ‘ai, nhonhô!’ ao que eu retorquia: ‘Cala a boca, besta!’ ”
(ASSIS, M. de. O menino é o pai do homem. Memórias póstumas de Brás Cubas. Campinas; SP: Editora da UNICAMP, 2026, p. 87.)


A partir da leitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas e considerando o ponto de vista do narrador desse romance, a representação das relações sociais no trecho permite inferir uma

Alternativas

  1. A

    atenuação das relações hierárquicas, pois essas aparecem marcadas por interação lúdica entre nhonhô e seu escravizado.

  2. B

    desnaturalização das relações hierárquicas, pois o poder é exercido por uma criança, o que enfraquece o quadro social da época.

  3. C

    caracterização das relações hierárquicas, pois o poder senhorial se exerce sobre os subalternizados.

  4. D

    inversão das relações hierárquicas, pois o lamento de Prudêncio indica uma forma de resistência.

Gabarito:
    C

Em Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis utiliza o protagonista e narrador em 1ª pessoa, Brás Cubas, para criticar a postura da elite carioca do final do século XIX. O comportamento desde criança (era apelidado de “menino-diabo”), a violência contra o Prudêncio (“moleque de pancada”) passando pela adolescência irresponsável (roubou dinheiro do pai para ficar com a prostituta Marcela), culminando no caso em que ele e Virgília tiveram, na fase adulta, comprovam a total falta de empatia, respeito e ética da elite com as outras pessoas, sobretudo com os mais pobres: Prudêncio, a cozinheira da casa e D. Plácida são exemplos dessa relação simbólica da hierarquia social brasileira daquela época. Os ricos mandando e os pobres obedecendo e sendo humilhados. 

No caso específico de Prudêncio, Brás Cubas brincava de cavalinho com o “moleque de pancada” e ainda lhe dava beliscões e pontapés, quando o pobre escravo fazia algum tipo de reclamação, o protagonista lhe dizia; “cala a boca, besta!”. As alternativas A, B e D estão incorretas, pois o autor em momento algum atenua ou desnaturaliza as relações sociais, tampouco Prudêncio ao se lamentar representaria qualquer tipo de resistência à violência imposta pelo protagonista.

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