Redação - Conhecimentos Específicos e Redação - Santa Casa 2027

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Texto 1

     A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicou recentemente a “Declaração para Triplicar a Energia Nuclear”, documento que teve a adesão de 38 países, incluindo o Brasil, sinalizando a existência de uma ambição dos governos, indústrias e instituições financeiras de todo o planeta para elevar a capacidade global de geração dessa fonte energética até o ano de 2050. Essa declaração foi lançada originalmente em 2023, durante a 28a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28), sediada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de fortalecera segurança energética e atender à crescente demanda mundial por energia.

(“Brasil adere à Declaração para triplicar a Energia Nuclear no mundo até 2050”. www.gov.br, 27.03.2026. Adaptado.)

Texto 2

     O desenvolvimento da energia nuclear é estratégico para o Brasil alcançar autonomia energética e soberania nacional, em um momento em que as economias globais precisam de fontes estáveis de energia e o cenário geopolítico causa turbulência nas cadeias de petróleo e gás natural.
     A opinião é defendida por especialistas que participaram, em março de 2026, do Nuclear Summit, encontro sobre o desenvolvimento da energia nuclear, na Casa Firjan, centro de inovação e tendências da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro. O encontro foi realizado pela Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan).
     O presidente da Abdan, Celso Cunha, elenca que a energia nuclear tem “atributos importantes”. “É limpa, gera energia em um espaço muito pequeno, é altamente eficiente e tecnológica”, descreve. Cunha reconhece que o Brasil tem muitas fontes renováveis, como eólica, solar e hidrelétrica, mas ressalta a vantagem de a energia nuclear ter fornecimento constante, que não depende de fatores climáticos, como ventos, sol e regime de chuvas.
     “É a grande solução”, defende ele, incluindo como vantagem para o país a capacidade de exportar combustível. “Podemos ganhar muito dinheiro vendendo combustível. Nada de vender minério in natura, isso não traz valor agregado. Estamos no momento certo, chegou a hora do nuclear”, finaliza.

(Bruno de Freitas Moura. “Energia nuclear é estratégica para soberania,
defende indústria”. https://agenciabrasil.ebc.com.br, 23.03.2026. Adaptado.)

Texto 3

(@geografia.hoje. www.instagram.com, 13.05.2026. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

DESENVOLVIMENTO DE ENERGIA NUCLEAR: AS VANTAGENS SUPERAM OS RISCOS?

Comentário:

     O tema "Desenvolvimento de energia nuclear: as vantagens superam os riscos?" foi o escolhido pela Fundação Vunesp para o vestibular da Santa Casa 2027. A organização da frase temática é bastante característica da Vunesp, uma vez que está organizada em forma de pergunta “sim ou não?”, dando liberdade de posicionamento aos candidatos – quando o tema é uma pergunta, espera-se que a tese da dissertação argumentativa seja a resposta a ela. Em 2026, a Vunesp escolheu a mesma abordagem para a prova da Santa Casa: "Terapia com Inteligência Artificial (IA) pode ser alternativa ao tratamento com um psicólogo?".

     A respeito do assunto proposto, a Netflix lançou em março deste ano – em uma data próxima à da publicação do Texto 1, que apresenta o tema – uma série brasileira sobre o fato ocorrido em 1987, em Goiânia, que espalhou o material radioativo Césio-137 pela cidade e gerou um desastre radiológico. Entretanto, a série e o fato não foram indicados nos textos motivadores, abrindo a possibilidade de muitos candidatos usarem esse repertório sociocultural em seus textos – ainda que o uso de repertório não seja obrigatório nas provas da Vunesp. Por se tratar de uma situação calamitosa, a referência à série ou ao fato oportuniza uma análise sobre os riscos relacionados às questões nucleares, mas o direcionamento da frase temática é explícito: a questão é o desenvolvimento de energia nuclear.

     O Texto 1 mostra uma mobilização global para expandir significativamente a geração de energia nuclear até 2050, como estratégia para “fortalecer a segurança energética e atender à crescente demanda mundial por energia”, ou seja, pode-se afirmar que o primeiro texto enfatiza as vantagens dessa forma de geração de energia. O Brasil, ainda que seja referência em geração de energia a partir de recursos renováveis, faz parte de tal mobilização, uma vez que a energia nuclear oferece fornecimento contínuo e estável, pois não depende de condições climáticas. Além disso, essa forma de energia é apresentada como limpa, que gera energia em um espaço muito pequeno, e altamente eficiente – reforçando seu aspecto vantajoso. Todas essas vantagens são explicitamente indicadas no Texto 2, o qual estabelece ainda que o desenvolvimento da energia nuclear é uma estratégia fundamental para assegurar a autonomia energética e a soberania nacional do Brasil, especialmente em um cenário de instabilidade geopolítica e de “turbulência nas cadeias de petróleo e gás natural”.

     O Texto 3 elenca os riscos, custos e desvantagens socioambientais associados à energia nuclear, alertando que, apesar de suas vantagens, essa fonte energética exige alto investimento e oferece perigos, como produção de lixo radioativo, risco de contaminação ambiental – que pode afetar a saúde humana – e acidentes nucleares, mencionando os grandes acidentes de Chernobyl (1986) e Fukushima (2011). Candidatos bem preparados foram capazes de atribuir o acidente na antiga URSS a questões políticas e, no caso do Japão, a um terremoto (e a um tsunâmi gerado por ele).

     Nesta prova da Santa Casa, os textos da coletânea estão equilibrados para mostrar os dois lados do desenvolvimento da energia nuclear e, assim, validar qualquer um dos dois posicionamentos – nota-se, entretanto, uma discreta tendência às vantagens em detrimento dos riscos. O pouco tempo que a Santa Casa disponibiliza para os candidatos realizarem a prova pode ser um fator complicador na hora de produzir o texto, mas a proposta de redação é consistente e equilibrada, validando qualquer um dos dois posicionamentos direcionados pela pergunta da frase temática.

Possibilidades de tese:

 Defesa do “sim”:

  • Causa-causa: Nesse sentido, no caso da energia nuclear, as vantagens superam os riscos, tendo em vista que o cenário global energético é instável. Além disso, ela independe das mudanças climáticas, o que representa maior segurança à população mundial.
  • Causa-consequência: As vantagens da energia nuclear superam os riscos, pois o cenário global energético depende das boas relações entre os países – algo que é instável atualmente. A consequência disso, então, é a garantia de uma segurança energética, sobretudo àqueles países que dependem de energia externa.

 Defesa do “não”:

  • Causa-causa: Nesse sentido, as vantagens da energia nuclear não superam os seus riscos, visto que é uma energia muito cara – o que tira investimento de outras áreas importantes – e pode gerar contaminação ambiental.
  • Causa-consequência: As vantagens da energia nuclear não superam os riscos. Isso, porque há uma demanda lucrativa por trás dessa demanda, o que, consequentemente, leva a desastres ambientais motivados pelo lixo radioativo e pelos acidentes nucleares.
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