Questão 37 - Unicamp - S_W - Unicamp 2027

Gabarito

Questão 37

Objetiva
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Ao publicar Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, o autor Lima Barreto incluiu a seguinte advertência:

"Encarregou-me o meu antigo colega de escola, e, hoje, de ofício, Augusto Machado, de publicar-lhe esta pequena obra. Antes me havia ele pedido que a revisse. Se bem que nela nada encontrasse para retocar, não me pareceu de rigor a classificação de biografia que o meu amigo Machado lhe deu.
Faltam-lhe, para isso, a rigorosa exatidão de certos dados, a explanação minuciosa de algumas passagens da vida do principal personagem e as datas indispensáveis em trabalho que queira ser classificado de tal forma; e não só por isso, penso assim, como também pelo fato de muito aparecer e, às vezes, sobressair demasiado, a pessoa do autor.
Aqui e ali, Machado trata mais dele do que do seu herói. Julgando que tão insignificantes defeitos eram de desprezar em presença dos reais méritos do pequeno livro, apressei-me em conseguir a sua publicação, certo de que, com isso, irei animar uma acentuada vocação literária que se manifesta, de modo
inequívoco, nas páginas que se seguem."

(BARRETO, L. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2023, p. 51.)

Esse trecho da obra

Alternativas

  1. A

    não participa da constituição de sua ficcionalidade, sendo um paratexto editorial cujo objetivo é informar ao leitor que o verdadeiro autor é Augusto Machado, e não Lima Barreto.

  2. B

    expressa as concepções literárias de Lima Barreto, ao criticar o que ele chama de “insignificantes defeitos” do livro, o qual valorizava a discrição e objetividade do narrador.

  3. C

    não expressa as concepções literárias de Lima Barreto relativas ao Modernismo que se iniciava, o qual estabelecia a separação entre gêneros literários, como a biografia e o romance.

  4. D

    participa da constituição da ficcionalidade da obra, sendo Augusto Machado o seu personagem-narrador e o autor fictício da narrativa, a quem Lima Barreto atribui a autoria.

Gabarito:
    D

Em Vida e morte de M. J. Gonzaga, Lima Barreto atribui a autoria da obra ao narrador Augusto Machado, que constitui uma espécie de alter ego do autor por alguns motivos: ambos têm origem humilde, são pobres, funcionários públicos e sofriam de preconceito racial. De maneira fictícia, mas não inverossímil, o autor pré-modernista apresenta o narrador como sendo seu amigo, esta relação interessante explica o fato de que muitas das opiniões de Augusto Machado são, na verdade, do próprio autor da obra: crítica ao sistema literário brasileiro que excluía os pobres e os negros, numa alusão ao Parnasianismo e indignação diante do programa de governo do prefeito carioca Pereira Passos que colocou em prática, no começo do século XX, o programa de governo “Bota-abaixo”, que consistiu em modificar o espaço físico da capital do RJ, mas não resolveu o problema da moradia e da pobreza. 

As alternativas A, B e C estão incorretas, respectivamente, pois tira o caráter fictício do livro, atribui à obra reflexiva um caráter descritivo e, por fim, estabelece uma separação de gêneros literários equivocada pelo fato da obra ser uma biografia que contém trechos que lembram crônica e uma estrutura de romance.

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