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“— Tens levado uma vida bem engraçada, Castelo!
— Só assim se pode viver... Isto de uma ocupação única: sair de casa a certas horas, voltar a outras, aborrece, não achas? Não sei como me tenho aguentado lá, no consulado!” (texto 1, linhas 5 a 7)
No diálogo acima, a expressão “vida engraçada” assume sentido irônico, plenamente compreendido a partir da progressão do conto. Essa caracterização se justifica porque Castelo:
alterna ocupações instáveis para escapar da monotonia, embora procure agir dentro das regras sociais.
busca conhecimentos ilimitados para obter trabalho, sem alcançar reconhecimento duradouro.
adota uma postura oscilante e contraditória perante as instituições do Estado.
viabiliza sua subsistência e seu prestígio por meio de expedientes, mentiras e trapaças.
permanece submetido à rotina burocrática, apesar de manifestar verbalmente sua insatisfação.
Ao longo do trecho, a personagem Castelo narra, com riqueza de detalhes, a forma como conseguira alcançar sucesso em sua carreira pública a partir de um engodo. Castelo relata orgulhosamente como foi capaz de enganar um senhor idoso e como, a partir disso, começou a se relacionar com figuras de importância hierárquica na sociedade brasileira. Dessa forma, a expressão usada pelo amigo para se referir a ele (“vida engraçada”) é revestida de valor sarcástico, tendo em vista que se trata de comentário pejorativo relacionado ao comportamento dissimulado de Castelo.
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