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Considerando a escolha vocabular e a perspectiva crítica presente no poema, é possível afirmar que o título “Eu, etiqueta”:
recupera a concepção romântica do “eu” como fortalecimento da autoestima do sujeito por meio do consumo consciente, em diálogo com características típicas do Romantismo.
reproduz a objetividade característica do Realismo ao apresentar o indivíduo como elemento passível de classificação social.
estabelece uma tensão entre a identidade individual e sua transformação em objeto de identificação comercial, aspecto coerente com a crítica social desenvolvida pelo Modernismo.
emprega uma linguagem marcada pela idealização do indivíduo e pela valorização de modelos clássicos.
indica a importância de seguir padrões de comportamento para garantir uma convivência harmoniosa em sociedade.
No contexto histórico em que está inserido, o poema “Eu, etiqueta” (1984), corresponde a um dos últimos trabalhos produzidos por Drummond e que evidencia a leitura crítica do autor em relação aos acontecimentos relativos à relação entre homem e sociedade. Nesse sentido, o texto aponta para a iminente vitória do bloco capitalista na histórica Guerra Fria e os desdobramentos desse evento: para o poeta, o triunfo da ideologia norte-americana traria, de forma inevitável, um culto ao consumo. Essa preocupação está explícita no poema, tendo em vista que o texto aponta para uma “fusão” entre o homem e os produtos materiais, o que resultaria, na leitura do poeta, em uma sociedade escrava do consumo, na qual não existiriam mais particularidades e o indivíduo estaria rotulado apenas por sua capacidade de adquirir.
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