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Ao publicar Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá, o autor Lima Barreto incluiu a seguinte advertência:
"Encarregou-me o meu antigo colega de escola, e, hoje, de ofício, Augusto Machado, de publicar-lhe esta pequena obra. Antes me havia ele pedido que a revisse. Se bem que nela nada encontrasse para retocar, não me pareceu de rigor a classificação de biografia que o meu amigo Machado lhe deu.
Faltam-lhe, para isso, a rigorosa exatidão de certos dados, a explanação minuciosa de algumas passagens da vida do principal personagem e as datas indispensáveis em trabalho que queira ser classificado de tal forma; e não só por isso, penso assim, como também pelo fato de muito aparecer e, às vezes, sobressair demasiado, a pessoa do autor.
Aqui e ali, Machado trata mais dele do que do seu herói. Julgando que tão insignificantes defeitos eram de desprezar em presença dos reais méritos do pequeno livro, apressei-me em conseguir a sua publicação, certo de que, com isso, irei animar uma acentuada vocação literária que se manifesta, de modo
inequívoco, nas páginas que se seguem."
(BARRETO, L. Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2023, p. 51.)
Esse trecho da obra
não participa da constituição de sua ficcionalidade, sendo um paratexto editorial cujo objetivo é informar ao leitor que o verdadeiro autor é Augusto Machado, e não Lima Barreto.
expressa as concepções literárias de Lima Barreto, ao criticar o que ele chama de “insignificantes defeitos” do livro, o qual valorizava a discrição e objetividade do narrador.
não expressa as concepções literárias de Lima Barreto relativas ao Modernismo que se iniciava, o qual estabelecia a separação entre gêneros literários, como a biografia e o romance.
participa da constituição da ficcionalidade da obra, sendo Augusto Machado o seu personagem-narrador e o autor fictício da narrativa, a quem Lima Barreto atribui a autoria.
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