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“Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia — algumas vezes gemendo — mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, soltava um ‘ai, nhonhô!’ ao que eu retorquia: ‘Cala a boca, besta!’ ”
(ASSIS, M. de. O menino é o pai do homem. Memórias póstumas de Brás Cubas. Campinas; SP: Editora da UNICAMP, 2026, p. 87.)
A partir da leitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas e considerando o ponto de vista do narrador desse romance, a representação das relações sociais no trecho permite inferir uma
atenuação das relações hierárquicas, pois essas aparecem marcadas por interação lúdica entre nhonhô e seu escravizado.
desnaturalização das relações hierárquicas, pois o poder é exercido por uma criança, o que enfraquece o quadro social da época.
caracterização das relações hierárquicas, pois o poder senhorial se exerce sobre os subalternizados.
inversão das relações hierárquicas, pois o lamento de Prudêncio indica uma forma de resistência.
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