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A insegurança alimentar na África e no Oriente Médio afeta 154,3 milhões de pessoas, visto que muitos países foram afetados pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia e pela crise comercial de acesso a grãos. Esses países dependem das importações de trigo, sorgo e girassol. Além da falta de grãos, as regiões do Magreb (parte ocidental do mundo árabe) e Mashreq (parte oriental do mundo árabe) são afetadas pelas mudanças climáticas e possuem baixa capacidade hídrica, como na Arábia Saudita, que teria que investir bilhões de dólares para produzir alimentos, devido à extensão do deserto, assim como a Argélia, Tunísia e a Líbia.



Atlas Éditon 2025. Géopolitique Mondial. Paris, Ed. Rocher (Adaptado).
Com base no texto e nos gráficos, assinale a resposta que apresenta fatores que contribuem para a subnutrição e insegurança alimentar.
O Irã aumentou seu PIB nos últimos anos, em decorrência da produção agrícola irrigada, em áreas do semiárido e do planalto do Irã. A produção pastoril é extensa e se localiza próxima dos rios e no semiárido, dependendo pouco da importação de grãos (36,6%).
O Egito teve alta no PIB nos últimos anos, e aproximadamente 7% da população está na faixa de insegurança alimentar. Isso ocorre por falta de investimento em áreas que podem ser irrigadas, pois há rios que atravessam as áreas de deserto e semiárida.
A Líbia, a Argélia e a Tunísia são os mais afetados pela guerra Rússia-Ucrânia, por importar aproximadamente 90% de grãos base da alimentação da população. Com áreas semiáridas e deserto com baixa capacidade hídrica, consegue ter alta produção de carne (pastoril).
O Iêmen, Iraque e a Jordânia dependem de 50% da importação de grãos, em decorrência do investimento em agricultura irrigada, nos três países, e da elevada produção de vegetais e frutas, no planalto e no semiárido.
Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Iêmen dependem em quase 100% da compra de grãos da Rússia e Ucrânia, tendo baixo número de população com insegurança alimentar em decorrência do aumento do PIB no setor agrícola, além da capacidade hídrica.
A questão exige o conhecimento da definição de insegurança alimentar. Segundo a FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a insegurança alimentar é a situação em que as pessoas não têm acesso a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade suficiente para um crescimento normal e uma vida ativa e saudável.
A alternativa A aponta corretamente para o Irã. Como se vê nos dados apresentados, há um aumento da participação do setor agrícola no PIB iraniano nos últimos anos (perto de 15% no gráfico) e uma dependência da importação de grãos em 36,6% (como no gráfico), sendo assim uma importação relativamente baixa em comparação aos outros países apresentados. Quanto ao gráfico sobre subnutrição, o Irã nem sequer aparece.
O comando da questão pede fatores que contribuem para a subnutrição; o Irã é um contraexemplo, apresentando fatores que reduzem a subnutrição. Assim sendo, é necessário analisar as outras afirmações para poder descartá-las com segurança.
Na alternativa B (Egito), a linha verde mostra queda da participação agrícola no PIB, mesmo que a subnutrição esteja, como mostra o gráfico, em torno de 7%. Além disso, o Egito conta com o Nilo e uma longa tradição de irrigação.
Na alternativa C (Líbia, Argélia e Tunísia), Tunísia e Argélia importam menos de 90% de grãos, ao contrário do que afirma a alternativa. Também é contraditório falar em “alta produção de carne” em áreas de deserto e semiárido com baixa capacidade hídrica.
Na alternativa D (Iêmen, Iraque e Jordânia), novamente, há contradição entre o que os gráficos apontam e o que está escrito. Apenas o Iraque depende de cerca de 50% de importações. O Iêmen importa 92,8% e a Jordânia, 100%.
Por fim, na alternativa E, está correto afirmar que os três países (Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Iêmen) dependem em quase 100% da importação de grãos, mas o restante da informação sobre o Iêmen está incorreto. No gráfico, mais de 40% da população enfrenta insegurança alimentar, enquanto a alternativa afirma que o Iêmen tem “baixo número de população com insegurança alimentar”.
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