Questão 46 - Unicamp - T e X - Unicamp 2027

Gabarito

Questão 46

Objetiva
46

Há 60 anos, quando a Universidade Estadual de Campinas era fundada, Chico Buarque de Hollanda lançava o seu primeiro álbum musical. Entre as canções presentes no álbum, estava Sonho de um carnaval, com a letra reproduzida a seguir. 

Sonho de um carnaval

Carnaval, desengano 

Deixei a dor em casa me esperando 

E brinquei e gritei e fui vestido de rei 

Quarta-feira sempre desce o pano 

 

Carnaval, desengano 

Essa morena me deixou sonhando 

Mão na mão, pé no chão e hoje nem lembra não 

Quarta-feira sempre desce o pano 

 

Era uma canção, um só cordão e uma vontade 

De tomar a mão de cada irmão pela cidade 

 

No carnaval, esperança 

Que gente longe viva na lembrança 

Que gente triste possa entrar na dança 

Que gente grande saiba ser criança 

(BUARQUE, C. Sonho de um carnaval. In: Chico Buarque de Hollanda. Rio de Janeiro: RGE, 1966. 1 disco de vinil [LP].) 

Poucos pensadores influenciaram tão decisivamente a reflexão sobre o tempo quanto Aurélio Agostinho de Hipona (354-430). Nascido no norte da África, Agostinho é autor das Confissões, obra na qual formula uma pergunta que atravessa séculos: “O que é, pois, o tempo?”. 

O filósofo rompe com a ideia do tempo como algo puramente externo, mensurável com um relógio. Para ele, o tempo se dá na interioridade: o passado vive na memória, o presente na atenção, e o futuro na expectativa. Não são três tempos objetivos, mas três modos de experiência. 

É por isso que os tempos verbais não funcionam como etiquetas rígidas. Mais do que marcar quando algo ocorre, a língua indica como o falante se posiciona diante do tempo, isto é, no fluxo entre o que já foi, o que é e o que ainda não é. 

(Adaptado de MÓDOLO, M. e BRAGA, H. O tempo que se diz: entre Santo Agostinho e Benveniste. Jornal da USP, 7/5/2026.) 

Com base no que afirma o texto de Módolo e Braga, as formas verbais empregadas na canção Sonho de um carnaval que servem para indicar uma experiência de expectativa por aquilo "que ainda não é" estão no

Alternativas

  1. A

    pretérito perfeito do indicativo (brinquei, gritei e fui, no verso 3). 

  2. B

    gerúndio (esperando, no verso 2, e sonhando, no verso 6).

  3. C

    presente do indicativo (desce, nos versos 4 e 8, e lembra, no verso 7). 

  4. D

    presente do subjuntivo (viva, possa e saiba, nos versos 12, 13 e 14, respectivamente). 

Gabarito:
    D

Alternativa A: incorreta. O pretérito perfeito (“brinquei”, “gritei”, “fui”) marca ações já concluídas, ou seja, “o passado que vive na memória” (o que já foi). 

Alternativa B: incorreta. O gerúndio (“esperando”, “sonhando”) indica uma ação contínua ou o durativo (o que está acontecendo). 

Alternativa C: incorreta. O presente do indicativo (“desce”, “lembra”) expressa fatos dados como certos ou rotineiros na realidade do falante. 

Alternativa D: correta. O texto de Módolo e Braga fala do tempo como expectativa para “aquilo que ainda não é”. Do ponto de vista gramatical, o modo subjuntivo (“que viva”, “que possa”, “que saiba”) em Sonho de um carnaval é, por excelência, usado para expressar desejos, hipóteses, possibilidades e expectativas, ou seja, algo que o falante deseja, mas que ainda não se concretizou na realidade ou que não é certo.

46

Downloads

  • Provas

Fique por dentro das novidades

Inscreva-se em nossa newsletter para receber atualizações sobre novas resoluções, dicas de estudo e informações que vão fazer a diferença na sua preparação!